segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ele não desenha!

O meu entrevistado hoje é um apaixonado por quadrinhos como eu, portanto o assunto não poderia ser outro e aqui ele nos revela quando começou esta paixão num cantinho escuro da sua cabeça.

Serginho Tavares:
Como começou essa sua paixão por quadrinhos?
Paulo Faysano:
Bom, vamos lá! Não era viciado em quadrinhos até os meus 16 anos, terceiro colegial. Um belo dia estava sentado na escadaria do colégio Objetivo lá na Av. Paulista esperando começar minha aula da tarde, mas faltava um tempão ainda para ela. Sem ter o que fazer, entrei na banca em frente ao colégio. Sei lá o por quê, mas bati o olho na parte de quadrinhos. Dois me chamaram a atenção pela capa: a graphic novel dos X-Men, God Love Man Kills (esqueci o título em português) e o primeiro número de uma minissérie do Batman, O Messias. Comprei as duas e voltei para a escada. Uma hora depois, lá estava eu novamente na banca comprando mais cinco ou seis revistas! Daí em diante, ferrou de vez e passei a comprar tudo lançado mensalmente aqui no Brasil e muita coisa que era lançada nos Estados Unidos também. Não bastando, virei de cabeça pra baixo todos os sebos de livros e quadrinhos que haviam na época para conseguir completar todas as coleções lançadas aqui. Não sei o motivo, mas não simpatizei muito pela DC Comics, editora responsável por Batman, Superman, Mulher Maravilha, Liga da Justiça... De cara me apaixonei pelos X-Men, e daí para pegar gosto pelo restante da Marvel Comics foi um pulo!
Serginho Tavares:
Hoje em dia os heróis viraram uma febre muito maior com filmes e séries inspirados em suas graphic novels. Como fã, você gosta deles?
Paulo Faysano:
Difícil você achar um fã de quadrinhos que curta 100% os filmes. Imagine você comprimir uma história que levou anos para rolar nas páginas dos quadrinhos em duas horas de filme. Muita coisa fica de fora, muita coisa é suprimida. Histórias complexas ficam fracas, algumas vezes até sem sentido ou explicação. De toda essa leva de filmes que tivemos, curti apenas alguns, como Homem de Ferro e os novos do Batman, com o Christian Bale. São os que mais se aproximam dos quadrinhos. Os filmes dos X-Men quase chegaram lá também, mas faltou amarrar um pouco melhor os roteiros dos três filmes.
Serginho Tavares:
Compreendo, mas e você desenha? Escreve?
Paulo Faysano:
Sou uma tragédia desenhando! Tenho uma frustração enorme por causa disso, mas escrevo sim. Sou redator e já enviei algumas histórias para a Marvel, mas por enquanto, nada. Existem muitos desenhistas brasileiros que fazem sucesso lá fora, premiados e tudo mais, mas não temos nenhum roteirista brazuca que tenha conquistado espaço nas principais editoras. Quem sabe não quebro o tabu com algum roteiro futuro?
Serginho Tavares:
Você escreveu para algum personagem específico ou uma criação sua?
Paulo Faysano:
Personagens da Marvel. Sua chance é maior com eles escrevendo sobre os personagens que eles tem. Fiz uns três roteiros para os X-Men e um para o Demolidor. Atualmente, desenvolvendo idéia para outro roteiro dos X-Men.
Serginho Tavares:
Então quem seria o desenhista de suas histórias se voce pudesse escolher?
Paulo Faysano:
Jim Lee, sem dúvida!
Serginho Tavares:
E quais heróis e revistas você prefere mais?
Paulo Faysano:
Leio tudo da Marvel, até mesmo por que uma história acaba interligando com outra, fazem parte do mesmo universo. Claro, os prediletos são os X-Men! Atualmente leio muito, mas muito mesmo. Compro tudo que a Panini lança da Marvel Comics. Além disso, compro muito quadrinho independente também, tem muita coisa boa rolando. E sou viciado também na linha adulta da DC Comics, a Vertigo, que publica os quadrinhos do Sandman, Fábulas, etc. E, além de comprar tudo que sai aqui, eu não aguento esperar a demora de um ano para sair aqui o que foi publicado lá então, baixo da net também! Sai nos Estados Unidos, no dia seguinte já tá no meu computador. E mesmo assim ainda compro aqui depois! Claro, por que se todos piratearem e pararem de comprar, eles param de lançar!
Serginho Tavares:
E seus desenhistas e roteiristas preferidos?
Paulo Faysano:
Curto os traços do Olivier Coipel, desenhista do Thor, e do brasileiro Mike Deodato Jr, que assume a fase dos Vingadores Sombrios que estreia aqui este mês. Dos antigos, amava o traço do Jim Lee e John Byrne. Roteiristas, eu curtia muito os roteiros do Chris Claremont. Durante quase vinte anos ele foi o roteirista dos X-Men. Se afastou e voltou recentemente, mas as histórias perderam um pouco o pique. Isso sem falar no Neil Gaiman, responsável pelo Sandman. Essa série foi uma das melhores já escritas. Duraram 75 edições, nenhuma que eu possa criticar uma vírgula sequer!
Serginho Tavares:
Você não gosta da DC, o que mudaria por lá então
Paulo Faysano:
Jogava tudo fora e começava de novo??? [risos] É engraçado, nunca simpatizei muito com os personagens dela! O Batman é o único que se salva. Faz um tempinho que não acompanho o que tem rolado por lá, preciso baixar alguns quadrinhos e me atualizar sobre a DC, quem sabe não mudo de idéia?
Serginho Tavares:
O que achou das uniões entre os personagens DC x Marvel?
Paulo Faysano:
São legais como curiosidade mesmo. São universos diferentes, a realidade de um é diferente do outro. Mas é legal de ver, os fãs sempre tem aquelas dúvidas, quem é mais poderoso? Superman ou o Hulk? Mulher Maravilha ou Tempestade? Wolverine ou Batman? São legais por isso, mas deixa cada universo no lugar onde está que está ótimo!
Serginho Tavares:
Voltando a Marvel, até que ponto Guerras Secretas e Civil War foram importantes para editora?
Paulo Faysano:
Guerras Secretas foi o primeiro grande cross over da editora. Juntou todos os personagens numa mega saga no final dos anos 80. Na minha opinião, esta saga trouxe apenas uma coisa de importante: o uniforme negro do Homem Aranha, que mais tarde se tornaria o Venom. Agora, Guerra Civil foi uma história completamente diferente. A saga começa com uma missão mal sucedida dos Novos Guerreiros, que acabam matando mais de seiscentas pessoas, inclusive boa parte do grupo. Fez o universo Marvel parar e se questionar até onde iam os direitos dos heróis em agir impunemente e esconder sua identidade. Essa saga dividiu o universo marvel, como heróis contra e a favor da Lei de Registro, que obrigaria todos os heróis a se registrarem e serem treinados em seus poderes. Tornou inimigos personagens que eram amigos há décadas. Reformulou todo o status quo dos personagens, uma grande mudança.
Serginho Tavares:
Se pudesse refazer, qual personagem escolheria para tal feito?
Paulo Faysano:
Boa pergunta!! Não sei te dizer em qual eu mexeria! Mas curtiria muito escrever alguma saga com os X-Men, claro. Conforme eles foram passando de um roteirista para outro, foram aparecendo mais e mais mutantes no universo Marvel, até praticamente virar uma superpopulação. Quando Grant Morrison passou pelos X-Men, dividiu as opiniões. Houve quem curtisse e quem detestasse por completo. Mas ele fez uma coisa que, na minha opinião, foi extremamente necessária: a dizimação da ilha de Genosha. A população mutante da Marvel reduziu muito nessa época, e depois, no final da saga Dinastia M, ela foi praticamente erradicada! Sobraram apenas 191 mutantes no mundo todo! Isso foi ótimo, por que mutantes estavam praticamente brotando em árvores. Serviu para colocar ordem no galinheiro novamente.
Serginho Tavares:
O que acha de Stan Lee, Steve Ditko, Frank Miller e Allan Moore?
Paulo Faysano:
Stan Lee praticamente criou todo o universo Marvel nos anos 60, ao lado do Steve Ditko. Claro que era um outro contexto, muito mais "infantil" do que hoje em dia. As histórias cresceram com o passar dos anos. O público de quadrinhos hoje em dia são adolescentes e adultos, não mais as crianças. Frank Miller é um roteirista do caralho. Já escreveu quadrinhos memoráveis, como Sin City ou Elektra Assassina. E Allan Moore não fica atrás também. A Liga Extraordinária é uma história excelente, que perdeu toda sua graça quando passada pro cinema. Aliás, esse foi um dos grandes motivos de Alan Moore não querer que seu nome fosse citado nos créditos de Watchmen no cinema. Ele sabia muito bem que, por melhor que a adaptação fosse, jamais chegaria aos pés dos quadrinhos. 
Serginho Tavares:
E quanto ao Novo Universo, gostava?
Paulo Faysano:
Nunca fui muito fã do Novo Universo, uma tentativa da Marvel de lançar uma linha paralela de quadrinhos. Os personagens não cativaram ninguém. Tanto que esse universo sumiu do mapa algum tempo depois. A Marvel foi muito mais bem sucedida quando lançou o universo Ultimate (Millenium aqui no Brasil). A idéia era apresentar o universo Marvel aos novos leitores. Todos os personagens e grupos estavam lá, mas com uma cara nova, histórias novas.
Serginho Tavares:
O que acha dos personagens da Image*? Gosta?
Paulo Faysano:
Já curti mais, quando a Image foi criada. Depois disso, caiu no mesmo problema, a rotatividade de roteiristas e desenhistas. Por melhor que seja o grupo ou personagem, um mal roteirista pode estragá-lo por completo! 
Serginho Tavares:
Os mutantes são seres que buscam um lugar no mundo, estão a margem da sociedade, são vítimas de preconceito. Esta analogia lembra também também os gays. Você percebe isso?
Paulo Faysano:
Claro que lembram! Os mutantes são personagens perseguidos e odiados por todos, não compreendidos. Não tem culpa do que são, eles nasceram assim. Os mutantes da Marvel sempre foram comparados com as minorias, sejam sexuais, religiosas ou raciais.Temos vários exemplos disto. Um dos primeiros da Marvel foi o Estrela Polar, que era da Tropa Alfa e atualmente é um X-Man. Dentro do grupo, ainda temos a Karma, a Roxie e o Anole. No universo Ultimate, a versão do Colossus também é gay assumida. Ah, já ia me esquecendo! Também tem o Rictor e o Shatterstar do X-Factor, uma relação nunca muito bem explicada... mas mesmo assim, rolou um beijo entre eles na última edição americana da revista.
Serginho Tavares:
Se pudesse ser um personagem de quadrinhos quem seria e com quem viveria uma história de amor? 
Paulo Faysano:
Essa é fácil! Seria o Estrela Polar! Acho um tesão aquele uniforme preto agarrado [risos] E se fosse pra ter um caso, seria com o Colossus ou o Gambit!
Serginho Tavares:
Vamos ao nosso Ultimate Fighting agora, Punho de ferro ou Mestre do kung fu?
Paulo Faysano:
Punho de Ferro! Nunca fui com a cara do Chang Li!
Serginho Tavares:
Wolverine ou Luke Cage?
Paulo Faysano:
Wolverine.
Serginho Tavares:
O Justiceiro ou o Surfista Prateado?
Paulo Faysano:
O Surfista é muito chato com todo o papo zen budista, fico com o Justiceiro!
Serginho Tavares:
Tropa Alfa ou os Vingadores?
Paulo Faysano:
Os Vingadores, claro!
Serginho Tavares:
Magneto ou Doutor Destino?
Paulo Faysano:
Jogo duro essa... cada um tem seu estilo, gosto de ambos... Mas fico com o Magneto.
Serginho Tavares:
Motoqueiro Fantasma ou Namor?
Paulo Faysano:
O motoqueiro da década de 90! O atual está muito chato. Comparando com os de atualmente, fico com o Namor.
Serginho Tavares:
Jean Grey ou Vampira?
Paulo Faysano:
Essa foi sacanagem! Me perguntar sobre minhas duas prediletas!! Ai, ai... Ok, Jean Grey da época da Dark Phoenix, e a Vampira da fase do Jim Lee! [risos]
Serginho Tavares:
Tocha humana ou Colossus?
Paulo Faysano:
Os dois são uma delícia, mas fico com o Colossus
Serginho Tavares:
Tempestade ou Elektra?
Paulo Faysano:
Tempestade, sem dúvida!
Serginho Tavares:
Demolidor ou Homem Aranha?
Paulo Faysano:
 Homem Aranha!
Serginho Tavares:
Ainda existe muito daquele Paulo de 16 anos no Paulo que conhecemos hoje?
Paulo Faysano:
Claro que sim!! Posso ter 37, mas acho que nunca vou crescer...Síndrome de Peter Pan! [risos]
Serginho Tavares
E o que diria para todos que leem o seu blog?
Paulo Faysano:
Ui! Uma mensagem final para os leitores?? Continuem lendo sempre, claro! Seja meu blog, seja quadrinhos, não pare nunca! E se aparecer algum pentelho para te encher e falar que quadrinhos é coisa de criança, nem perca muito seu tempo... ou melhor, perca sim! Levante seu dedo do meio e mostre educadamente para ele!

*Image é uma editora fundada por por sete ilustradores e roteiristas saídos da Marvel Comics e um dos seus maiores sucessos foi o Spawn.

13 comentários:

FOXX disse...

adorei a entrevista! pior q eu e o paulo temos isso em comum mas nunca paramos para conversar sobre nossos qridos heróis...

Edu e Mau disse...

Ótima entrevista! Claro que eu fico boiando na maior parte do assunto, mas Paulo+Sergio só podia ser uma delícia de ler! :-)

Paulo Braccini disse...

taí ... adoro o blog do Paulo ... suas crises, seus desabafos, suas brigas consigo mesmo, enfim ...
acho um cara interessante e inteligente, e aqui, junto de vc, só poderia dar esta riqueza mesmo ... mas tenho que registrar que, apesar de amar quadrinhos, estou totalmente desatualizado ... sou de outra geração e meus heróis foram outros mesmo ... mesmo assim gostei do que li ...

bjux aos dois

;-)

ManDrag disse...

Dá vontade de ir a correr ler BD. rsrs
Parabéns aos dois.

t.e.a.g.o. disse...

gostei da entrevista...
legal..

Alexandre Lucas disse...

Você precisa se jogar no jornalismo!

São disse...

Também gosto de banda desenhada.
Mas como emqualquer género literário, geralmente, os filmes ficam muito aquém.

Um bom dia

Mauri Boffil disse...

adorei a entrevista! vou visitar o blog dele

Paulo disse...

Hehehe... e eu achando que seria uma entrevista só sobre as partes sexuais (mais) picantes que eu evito de comentar no blog, hahaha!

Adorei a entrevista, Serginho!! Valeu!!


beijo!

Arsênico disse...

Olá quiiridjo... Primeira vez no Blog... e amay!!!

Estou linkando vc... e já estou seguindo...

Um grande abraço... e voltarei sempre!!!

***

ALESSANDRO disse...

ok estou aqui.
aliais estou sempre por aqui e em outros blog, só não deixo muitos comentarios porque raramente tenho algo inteligente pra dizer.
enfim, como ficou sabendo daqueles dois blogs? nem no meu perfil eles estão visiveis, apenas eu e a paula podemos entrar lá, usamos ambos durante o mês de dezembro para eu treinar a troca de template, ela estava me ensinando passo a passo,e como eu ia fazer isso de uma só vez na virada do ano precisava de blogs de teste antes

. intemporal . disse...

.

. querido Serginho,,, .

. amei a entrevista . cê tem um jeito, viu ... .

. mesmo . mesmo . mesmo .

. um beijo transatlântico .

. daqui .



. paulo .

.

Leandro K. disse...

não sabia dessa paixão por HQ dele!