terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A nave mãe

 "A televisão me deixou burro, muito burro demais..."

Cresci vendo tv como a maioria de vocês e como tudo possui seu efeito benéfico e maléfico esta catalisadora de massas não poderia ser diferente. Hoje resolvi falar de um destes efeitos e se é bom ou mau cabe a vocês julgarem.
O BBB é um reality show famoso que estreou aqui no Brasil em 2002 logo depois do sucesso de um outro parecido. Todos devem lembrar da "Casa do artistas" que tinha o mesmo formato, mas apenas com pessoas um tanto quanto conhecidas nos programas B. O SBT havia se interessado anteriormente pelo Big Brother, chegou a pensar em montá-lo, mas desistiu porque achou muito caro o projeto, entretanto Sílvio Santos copiou a ideia e o resto todo mundo sabe. Ao estrear o original, a Globo promoveu um verdadeiro alvoroço. O programa rapidamente virou febre e todo mundo queria saber quem seria o líder ou quem seria o emparedado da vez. Simples anônimos viraram estrelas da noite para o dia no horário nobre da emissora líder. Até a atriz Marisa Orth dividia a apresentação no primeiro ano, mas sua postura destoava do que se almejava e pedro Bial assumiu a nave mãe do BBB que ao longo do tempo perdeu um pouco do gás e do brilho inicial, mas nunca deixou de provocar a curiosidade alheia tão ansiosa por cuscuvilhice. O BBB porém nunca deixou de levantar discussões, as mais variadas entretanto sempre de peculiar bobagem.
Ao estrear a décima edição, o diretor Boninho anunciava novidades e ao fazer isto deu pano às especulações. Havia quem dissesse que o prêmio seria de dez milhões, que famosos participariam, tudo desmentido obviamente. Mas o que mais me chamou atenção foi conhecer alguns participantes da casa. Haveriam vários gays assumidos. Um deles uma drag queen conhecida. Confesso que cai no golpe publicitário e me rendi. Acreditei que mais uma vez o diretor iria se superar. Ao longo dos primeiros dias e uma frustração atrás da outra desisti do programa preferindo acompanhar apenas as notícias pela internet. As expectativas criadas deram lugar a uma série de decepções. Muitos dos participantes que julgava que iriam brilhar eram justamente os mais fracos. Dicésar, vulgo Dimmy Kier, por exemplo se tornou uma figura apática e falsa. Angélica teve um começo ruim mas tentou se acertar entretanto o programa não é lugar para figuras exageradamente auto explicativas e agora Angélica vai perdendo espaço, o povo não gosta de gente assim, o povo, pelo menos as pesquisas dizem isso, parece se identificar com seu rival, o famigerado Marcelo Dourado. A principio não entendi o que o diretor pretendia ao trazer de volta o que talvez seja o participante mais abusado, chato, ignorante, arrogante e preconceituoso de todas as edições. Mas acredito que esteja se divertindo muito. Cumpriu o papel de mais uma vez de deseducar a população. Mas o que esperar de um homem que se vangloriava de atirar ovos nas pessoas que passavam a rua?
Dourado é um ser vil de fato e tem consciência de ser um vilão, sabe aproveitar muito bem o fato de conhecer o programa. Ou será que alguém ainda acredita que não é um jogo de cartas marcadas? Decorou bem o seu script e está pouco se lixando com o que pensam dele. Afinal ele esta num reality show um programa feito apenas para dar lucro a emissora em um período de vacas magras do mercado publicitário.
Deixo vocês com algumas questões. Será que o BBB não deveria ter o espaço e a importância que o país dá pra ele? Será que ignorantes somos nós que o assistimos?
E quanto ao povo? Ah, esta eu mesmo respondo. O povo que se dane e aprecie  todo dia  o ser que se vangloria entre um banho de piscina e outro dizer que apenas homossexuais contraem o vírus da AIDS,  entre tantas outras pérolas, afinal ano que vem tem mais não é mesmo?

8 comentários:

Paulo Braccini disse...

clap clap clap ... aplaudindo de pé ... perfeita a sua contextualização do tema ... assim como vc tb caí no canto da sereia, e sem nunca ter assistido a nenhuma das edições anteriores comecei acompanhar esta, mas logo logo me enfastiei ... tb só me informo pela net sobre o andamento ... enfim ... o que podemos esperar de uma tv aberta, que apesar de ser uma concessão pública só investe naquilo que lhe interessa ... lucro lucro e mais lucro ... estão ai as Gimenes, os Gugus, os Faustões, os Pânicos e claro, os BBB ... e o nosso povo ... bem ... o nosso povo é o nosso povo ... sem mais coments ...

parabéns

bjux uuummm

;-)

Wans disse...

Se tivéssemos poder sobre algo, definitivamente esse cara tava fora!
Infelizmente não será assim.

FOXX disse...

ótimo texto mesmo!
lúcido!

Too-Tsie disse...

Compartilho da sua visão sobre o jogo. O problema da deseducação está na cabeça das pessoas, tem gente que adota tudo que vê como uma bíblia, um estilo de vida e não é, é entretenimento puro e bobo.

Se Marcelo Dourado ganhar ou perder, que diferença irá fazer na sua vida?

Um bom exemplo disso vai ser quando a tal Lia cair no paredão. Neste nosso país de apedrejadores de Geisy, irão fazer o mesmo com a dançarina, que desesperadamente manipula seu rebanho com o seu mantra: OLHA NO MEU OLHO!

E uma boa parte da população pratica a homofobia velada. Aquela famosa: nada contra os gays, tenho até amigos, mas, meu filho(a) não.

Três Egos disse...

Não sei se fico revoltado ou decepcionado. Não sei se com o BBB, com a emissora ou com o povo brasileiro (o qual me incluo)...

Abraço

Leandro K. disse...

Sou incapaz de me manifestar porque não vi um segundo sequer desse BBB

Mas quer saber? Acho melhor. TV é sintoma e me deixaria deprimido ver os sintomas da sociedade brasileira. Ainda bem que cresci sem TV em casa!

ManDrag disse...

O que pode o amor...! Só tu me farias ler até ao fim um texto sobre a abjecta elevação da vulgaridade da coscuvilhice ao estrelato.

Quando todo mundo já está para lá do formato BB, me espanta como o povo brasileiro ainda pára frente a esse chorrilho de vulgaridade boçal.
O povo precisa de conteúdos mais dignificantes e construtivos. O povo inculto não os sabe procurar; mas isso é tarefa para as elites intelectuais se preocuparem com a educação do povo, ao invés de andarem bajulando as fraldas imundas dos poderosos.

Quanto a esse infame Dourado... todo povo tem o filho ... que merece.

Beijos

São disse...

Não posso dexixar de dizer que acho infame esta vulgaridade reinante.
E subscrevo Mandrag.

Abraço