sábado, 6 de março de 2010

There's no business like show business

Amanhã acontece a seilágésima entrega do Oscar e resolvei escrever sobre coisas que sei e lembro-me desta festa que é o mais importante prêmio da indústria cinematográfica e isto todo mundo sabe e concorda. Porém não é dado a ser justo afinal nem a vida é justa, é apenas bela e o Oscar tem colecionado injustiças desde muito tempo.
Por exemplo, na categoria de melhor ator, o caso de Clark Gable que perdeu Oscar por "Gone with the Wind". Ele havia ganhado anos antes por "It Happened One Night", mas a sua forte interpretação de Rhett Butler acabou sendo deixada de lado. No caso das atrizes temos Glen Close que perdeu em dois grandes momentos - Fatal Attraction e Dangerous Liaisons - e Fernanda Montenegro que perdeu para Gwyneth Paltrow de "Shakespeare in Love".
Entre os diretores, Martin Scorsese teve que esperar anos para ganhar um. Ele sequer foi indicado por "Alice Doesn't Live Here Anymore", viu seu "Taxi Driver" perder para "Rocky" e "Raging Bull" perder para "Ordinary People". Outro diretor injustiçado foi Francis Ford Coppola que não viu seu Apocalypse Now ganhar. O realizador havia ganhado antes pela saga "The Godfather" e talvez achassem que ele já estaria bem premiado. De qualquer forma a Academia estava na onda dos dramas familiares e "Kramer VS Kramer" ganhou o Oscar de melhor filme em detrimento da grande obra de Coppola.
Todavia em se tratando de injustiças é pesaroso saber que lendas do cinema como Gretta Garbo, Marylin Monroe, Montgomery Clift, Alfred Hitchcock, Marlene Dietrich, Fred Astaire, Gene Kelly, Rita Hayworth, Deborah Kerr, Jean Harlow, Ava Gardner, Steve McQueen, Robert Mitchum, Leslie Howard, Cyd Charisse, Edward G. Robinson, Buster Keaton, Peter Sellers, Lilian Gish e Mae West nunca ganharam um Oscar. Alguns destes chegaram a ser nomeados, outros nem isso, alguns ganharam prêmios de consolação pelo conjunto da obra, mas nenhum destes venceram por seus desempenhos de fato. 
Lastimável!
Há também o curioso caso de Orson Welles. Em 1941 lançou sua obra prima, o polêmico "Citizen Kane", considerado por toda a crítica especializada o melhor filme já feito devido as inovaçõs técnicas e criativas que ele impôs. Entretanto recebeu apenas um único prêmio, melhor roteiro, e nem foi indicado para melhor filme.
Mas não apenas de injustiças se faz uma cerimônia do Oscar, surpresas também e elas são sempre bem vindas. Como quando Hattie McDaniel se tornou a primeira negra a vencer; "Chariots of Fire" virou de azarão a campeão; Juliette Binoche que tirou de Lauren Bacal o Oscar de melhor atriz coadjuvante.
Algumas vezes o famoso prêmio ajuda a afundar ou levantar carreiras. No primeiro caso temos Timothy Hutton que depois de vencer como coadjuvante em "Ordinary People" não fez nada muito relevante nos anos seguintes; Marisa Tomei ao vencer por "My Cousin Vinny" acabou sendo perseguida e só retomou ao sucesso de público e crítica mais recentemente. No segundo caso temos, por exemplo, Kim Basinger que de nunca era vista como atriz, estava em baixa e depois do Oscar por "L.A Confidential" voltou ao estrelato.
Alguns devem agradecer por não terem ganhado. Tudo tem seu tempo e o caso mais famoso é o de Tom Hanks que não venceu por "Big" e deixou de ser apenas mais um comediante carismático para ser tornar o que é hoje anos depois ao vencer por "Philadelphia" e "Forrest Gump" e levar seu nome a estratosfera.
Fatos polêmicos também dão o tom da premiação. A atriz Wendy Hiller nem foi à festa, mas mandou a estatueta de melhor coadjuvante por "Separate Tables" às favas porque o que queria mesmo era o dinheiro que podia advir da premiação; Marlon Brando recusou receber seu segundo Oscar e mandou uma índia fajuta em seu lugar; Michael Moore com seu discurso anti Bush levou a platéia as vaias e aplausos; Elia Kazan dividiu o público em prós e contras devido sua carreira e vida pessoal.
Porém apuro passou mesmo o britânico David Niven em dois momentos. Na primeira vez ao receber o Oscar quase tropeçou e caiu em pleno palco e na segunda enquanto apresentava a cerimônia um homem nu surgiu de repente correndo pelo palco.
Mas não podemos esquecer os momentos engraçados segundo contava Dulce Damasceno de Brito na Set. Um deles, dizia, foi quando Jerry Lewis ao apresentar a festa teve que se virar em mil já que a emissora que exibia o prêmio mandou estender o tempo em mais vinte minutos. Jerry regeu orquestra, tocou pistão e a NBC cortou tudo exibindo um documentário. Falando em apresentadores dos que tenha visto, até hoje nenhum foi pior que David Letterman que transformou a cerimônia numa extensão de seu talk show.
No meio de injustiças, polêmicas, fatos engraçados e chatos têm-se o caso daqueles que menosprezaram a cerimônia como Katherine Hepburn. A atriz nunca foi receber nenhum dos seus quatro prêmios e só compareceu uma única vez à festa para homenagear um amigo.
Charles Chaplin segundo um de seus filhos usava o Oscar honorário que tinha ganhado pra segurar a porta. Seu tipo de vida e sua conduta irascível incomodavam os membros da Academia que ignoraram grandes trabalhos do gênio como "City Lights", "Modern Times", "The Great Dictator" e "Limelight". Este último por sinal nunca foi exibido em Los Angeles na época, sendo então lançado vinte anos depois o que lhe rendeu um Oscar para sua trilha sonora composta por sinal pelo próprio Chaplin. Em 1972 volta aos Estados Unidos depois de anos de exílio para receber um prêmio pelo efeito incalculável que ele teve em tornar os filmes a forma de arte deste século. A ovação recebida durou cinco minutos e entrou pra história do Oscar como um dos mais emocionates momentos.

4 comentários:

HSLO disse...

Bem lembrado viu...amanhã tem o Oscar.

Te desejo um ótimo final de semana.

abraços


Hugo

ManDrag disse...

Numa me pareceu que a academia que premeia com os Oscares primasse pela justiça.
Afinal em termos de avaliação de arte, as escolhas serão sempre subjectivas e parciais. Mais ainda quando a isso se junta a tremenda pressão dos interesses económicos mais desalmadamente gananciosos.

Holywood numa primou pela clareza e honestidade. É um mundo de dog eat dog.

Vamos ver quem este ano serão os bajulados e os escorraçados.

Beijos

Marcos Eduardo disse...

Serg, agora serei eu a retribuir a consideracao: a grafia estah errada no nome de Steve Mcqueen. Texto MARA, muito intuitivo e provem de um grande conhecedor de cinema. A forma como escreve eh clara, objetiva e saudosa de uma "era de ouro" que nao vemos mais, apenas grandes nomes, grandes orcamentos, tapete vermelho (muitos e muuuuitas nem sabem o nome de quem as veste, eh deploravel!). Bem lembrado de Hattie, mas o discurso de Halle eh tao marcante quanto! A festa eh "bairrista", nao tem jeito! Acho que o grande vencedor da noite, serah "o mais do mesmo", outra vez!

Abraços.

António Rosa disse...

Adorei o seu post. Bem lembrado. Justo e digno.