segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cain Sodom

Ele não caiu no poço, mas caiu em nossos corações. Lindo e versátil (calma, ele escreve e desenha)  o entrevistado faz sucesso a cada post. Direto ao assunto, Cain Sodom!

"Gosto de desenhar, adoro mangá, quadrinhos e animações.


1. Fale um pouco de você.

Nasci em Goiânia. Não sou fã de viagens, acho cansativo. Prefiro estar no lugar, conhecer e explorar – de preferência acompanhado, mas me viro só. Já visitei Uberlândia em MG (quando pequeno), minha tia morou lá por muito tempo e há algum tempo retornou para à cidade. Pena que fica tão longe de Belo Horizonte, onde há vários blogueiros que adoraria conhecer, como o Braccini e o Wandy, Foxx e outros que não me recordo agora (sorry). Campinas (SP) e São Paulo, outra das minhas tias mora em Campinas. E claro, algumas cidades aqui de Goiás mesmo, como Caldas Novas, Pirinópolis e outros interiores menos interessantes. Gosto de desenhar, adoro mangá, quadrinhos e animações. Gosto um cadinho de moda e suas nuances. Curto vários estilos musicais, exceto: forró, pagode, sertanejo, funk e derivados. O que mais gosto é o pop. Não tenho uma vida social muito agitada. Não curto muito as badalações, entende. Sou mais caseiro. Raramente dá uma vontade doida de sair pra balada, daí vou. Minha balada básica é: freqüentar o cinema sempre. Programa com os amigos é sair pra comer alguma coisa. Ou em visita à casa, mais comida. Povo guloso, sabe. Sou tímido, especialmente, com gente que não conheço. Sou meio que o Mister Darcy de “Orgulho e Preconceito”. Meio caladão da cara fechada. Rs. Então, basicamente as pessoas me vêem como frio, chato, arrogante ou coisa do tipo. Mas, sempre dizem que faziam outra idéia da minha pessoa depois que conhecem. E isso é culpa do mundo mesmo (e da forma como lido com as coisas), digamos que é uma defesa minha, parecer tão indiferente com as pessoas. Afinal, já tive algumas problemas de confiança que minaram minha personalidade. Ou seja, tenho dificuldade de confiar nos outros. Há muito mais coisas, mas vocês não querem continuar lendo um livro, não é?

2. Quando surgiu o blog?

Caiu no Poço surgiu em 2006, depois de uma longa fase de negação (quando ainda me importava horrores com o "outing"). O nome do blog vem da brincadeira de criança (ou adolescente), onde você aponta as cegas para uma das pessoas em fileira, e pede uma prenda. Eu gostava da brincadeira. Em seguida surgiu o nome Cain Sodom, que nada mais é do que CAIu No poço (SODOM). Sem mistério algum, para mais detalhes sobre isso, sugiro consultar a página inicial do meu blog. Enfim, antes disso eu tinha outro blog (típico) que se chamava "Não é Fácil", o blog era uma bosta! Muahaha. Super "querido diário". Tudo teve início com uma colega de faculdade, que estava escrevendo um blog na época, cuja sortuda teve o prazer enorme (literalmente) de conhecer o marido (pintudo / de quem está grávida), pela internet (nos bate papos da vida). Pois é, isso foi em 2004 e o povo tá junto até hoje (pintudo, sabe. Muahahahaha). Claro fiz alguns colegas, já perdi contato com muitos, ainda matenho contato (raramente / o que não é culpa minha) com outros que ainda estão no MSN.
Então, a história do antigo blog é tão buça que meu ex-ficante bêbado, deixou uma mensagem toda melosa uma vez. Dizendo que eu não dava atenção pra ele e blah blah blah. Cretino infeliz que morria de preocupação quando eu aparecia no apartamento dele tarde da noite: "O que os porteiros e vizinhos vão pensar"? Mas, me beijar dentro do carro, na porta da minha casa ele bem que queria. Ou seja, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Era um infeliz que só queria aproveitar o corpitho. Enfim, depois desse relapso do meu ex-ficante, passei a usar meu nome no blog. Mas abandonei a realidade para fazer a misteriosa com o personagem "Cain Sodom".

3. E quando surgiu a ideia dos Homotoons?

Primeiro surgiram uns desenhos, tipo humanos. Depois surgiu às estampas de camiseta, que nunca se tornaram estampas. Rs. De uma das estampas surgiu “Doll’s”, que cheguei a criar o blog. Mas o mundinho de Doll’s era pequeno para extravasar todas as outras idéias (ainda muito toscas), então pensei... Quero um blog onde posso criar vários outros personagens gays ou que mostrem alguma nuance do mundo gay. Afinal, não se vê muito por aí... E é o que sou.

4. Seus desenhos fazem sucesso na blogosfera. O que acha deste sucesso? Já pensou em ampliar o projeto?

Rs. Juro que não vejo tanto sucesso, mas sim! Algumas pessoas gostam. Acho ótimo, afinal, gosto um cadinho de atenção (HellO) e fico super feliz de pensar que estão se divertindo com o tipo de design (e piada tosca) que faço. Adoraria ampliar, mas tudo depende de investimento: tempo, dinheiro, sangue, muque... e isso é complicado no momento.

5. O blog permite que mantenha contato com muitas pessoas, interage com os demais blogueiros? Já conheceu algum blogueiro pessoalmente?

Só conheci um blogueiro pessoalmente, um tempão atrás. Como eu, ele é de Goiânia. Foi bacana, mas ao mesmo tempo “estranho”. (Não, não rolou nada séquisual). Na época, ainda estava em algum estágio de Nárnia. E ele se mostrou completamente diferente da minha imaginação. O que não foi nada ruim, só meio surpresa. Não mantemos muito contato, tenho alguns problemas com “relacionamento”. Acho que é o DNA, hehe. Morro de vontade de conhecer uma porção de blogueiros, trocar saliva (opa) e blah blah blah. Mas enfim, ainda aparecerá oportunidade.

6. Quais os blogs que costuma visitar mais e quais os indicaria?

Bem, minha vida de trabalho passa por fases. Às vezes tenho muito tempo sobrando, outras vezes, não. No começo do ano passado, por exemplo, visitava todos os blogs da minha lista de blogs (no meu blog), mesmo aqueles que nunca comentaram no meu, o que, aparentemente, deixaram de visitar. Desde outubro de 2010 o trabalho tem aumentado, por isso ando meio sumido. Dá saudades, mas não estou podendo visitar todos. Hoje, ando visitando quem deixa recado no meu blog. Ou quando dá saudade de alguém específico, visito. Raramente, quando visito, deixo de comentar, por mais “tolo” que seja. Sabe como é... às vezes leio algo, mas não tenho uma opinião formada sobre o assunto, ou não estou com ânimo. Então, não há um blog que mais leio. Há blogueiros que tenho um carinho especial, quando não visito, mando e-mail para manter contato. Acho importante, mas parece que a maioria não faz, já que pode interagir no Blog ou no Facebook e coisa e tals. É, parece que sou muito intimista. Rs.

7. Você acha que atingiu seu objetivo quando criou o blog?

Hum, vou ter que procurar um terapeuta pra responder essa. Hehe. Então, o primeiro blog surgiu por insistência de uma colega de universidade. Daí gostei e continuei. Ela mesmo sumiu há séculos. Hoje é esposa e recentemente: mãe. Esse é o meu segundo blog. Ele tá durando muito tempo, mas ele já morreu por 1 dia. Enfim, lá no fundo, sinto que não atingi muita coisa... Não sei. Creio que ainda não encontrei minha voz (assim como o blog). Rs. O importante é que estou conhecendo las bibalokas. Porém, tenho um certo problema pra falar de mim mesmo, aiai. Acho que isso me impede de fazer mais amizades. Não costumo trocar figurinhas... Mas, estou contente com as amizades que tenho. Embora nunca seja demais, mas ao mesmo tempo é impossível dar atenção pra uma porção de pessoas.


"Quem faz o país são as pessoas..."



8. E essa superficialidade que a internet trouxe. Como observa isto? Analisando os prós, quais seriam então os contras que ela trouxe?

Bem, pra mim as pessoas são naturalmente (ou não) superficiais, logo as relações que elas tem são o espelho delas mesmas (Merda! Confessei que sou um confetti. Rs). Não faz muito tempo deixei de visitar e até apaguei um blog do meu blog. Achei tão frigido a postagem explicativa, tipo: nossas idéias não batem, então paramos por aqui. Superficial? Realista? Mas se fosse gelar todo mundo que discordo, morria só. Fiquei super triste na época, mas passou. Depois até voltei uma vez no blog (...). Afinal, gosto da pessoa (fazendo a maso). Mas parece que não é a mesma coisa, sei lá.
Simplificando, é impossível viver sem a superficialidade até porque é parte da cultura pop (dominou geral). Superficialidade é bom, é divertida, relaxante. Mas é péssimo quando machuca os sentimentos.

9. Hoje em dia o mundo não existe sem internet. Isto tudo foi muito rápido. Você imagina como será daqui pra frente?
A tendência é se conectar cada vez mais, e às vezes é meio assustador. Fico imaginando que nos tornaremos os gordinhos sedentários da animação “Wall.E”. Na boate mesmo, muita gente não fuma cigarro e quem não tá fumando tá fuçando o celular. Contando no twitter que tá ahasando na buati. Marcando encontro. Fazendo (ou vendo) sacanagem. Postando as últimas fofocas. Lendo livros e revistas. Postando as fotos da festinha no Facebook. Complex.

10. Existe muita homofobia implícita em blogs de conteúdo gay?

Claro. Todo mundo tem um preconceitozinho dentro de si. Isso é passado de geração em geração, e logo para os textos e a pessoa nem percebe. Fico pensando o quanto podia ter sido (em muito menos tempo), se não tivesse preocupado com meus demônios internos. Agora pensa, todos os outros gays no mesmo barco. Ou então sofrendo constante bullying. Isso deixa uma marca complexa, quase impossível de ser apagada.

11. E o que acha da exposição que algumas pessoas fazem de seus corpos?

Rs. Algumas? Colega. Se o cara tem o corpo bonito, aí que ele exibe mesmo! Já reparou no quanto há carinhas bonitos mostrando o que tem nos orkuts e facebooks da vida? E nos sites de “relacionamento” (vulgo: pagacione). Creio que é normal. Perigoso pra imagem, mas o que não é perigoso nessa vida? Acho que se fosse gostosa também mostrava a perereca. Muahahaha.

12. Mas as pessoas tendem a achar que os gays são exibicionistas e promíscuos. O que acha disso?

Hunf! Gays né? Sei... Já ouvi gente hetero dizendo que se pegou no bosque, abraçada numa árvore, enquanto tava sendo enrabada por um homem. Detalhe é que a mulher era casada. O relato foi dele, mas não tenho por que duvidar. No cinema um tempo atrás um casal de adolescentes tava se pegando. A moça tava batendo uma pro moço. E no dia que assisti “Amor & outras drogas” tinha dois (homem + mulher) lá no cantinho, no escurinho do cinema, fazendo uns barulhos supeeer estranhos, sabe. Só consegui me concentrar no filme, porque era bom e tinha o Jake. Muahahaha. Agora depois dessas pequenas demonstrações, sem falar nos beijos de língua que esses heteros se dão no meio da rua. Francamente, não há como dizer que gays são as criaturas mais promiscuas do mundo. Sem falar que a história está a nosso favor, mas típico, ninguém estuda mesmo. Promíscuo tá precisando ser é eu. Sou madreteresadecaututa perto de muita gente. Saco.

13. Como vê a sociedade com relação aos gays. Mudou alguma coisa?

Tem mudado, mas ainda falta tanta coisa pra acontecer. Lá fora mesmo comentam que a coisa é diferente, outras dizem que é pior pra quem é gay. Mas, você observa que muitas estrelas do cinema, música, etc. preferem ficar no armário o máximo que podem. E geralmente só contam a verdade quando já estão com a vida ganha. Só por já dá pra ter uma idéia de como a coisa “realmente” funciona.

"Vivem dizendo que sou bonito."

14. Você acredita num país melhor?

Quem faz o país são as pessoas... Para o bem ou para o mal, somos os responsáveis pelo país em que vivemos. Muito tempo atrás, Cazuza escreveu a música “Brasil” dizendo uma verdade sobre a sociedade brasileira. Acha mesmo que a sociedade mudou pra melhor de lá pra cá? Ainda falta muito pra mudar 500 anos de história. Assim, considero a música atualíssima!

15. Eventualmente você fala de filmes, séries, livros e músicas. Quais gostaria de indicar?

Adoro filmes, desenhos, séries e livros! Mas não vou indicar, prefiro dizer meus preferidos até o momento. Por mais superficiais que seja, adoro eles por motivos específicos, que pra mim são importantes. Todos os títulos eu assisti ou li, mais de uma vez. Livro-filme: Harry Potter; Saga Crepúsculo; Senhor dos Anéis; Orgulho e Preconceito.
Filme: Laranja Mecânica; 2001, Uma Odisséia no Espaço; Transpotting; Velvet Goldmine; Calígula; Regras da atração; Labirinto do Fauno; Kill Bill; Matrix; Plata Quemada; O Chamado; O Grito; Premonição; X-Men
Animação: Ghost in the Shell; Animatrix; A viajem de Chihiro; Fuga das Galinhas; A era do gelo; A Bela e a Fera; Peter Pan; Sakura Card Captors; Naruto
Livros: O Pequeno Príncipe; O Mundo de Sofia; É agora ou nunca; O Retrato de Dorian Gray; A Lira dos vinte anos; A Saga Otori
Há tantos outros, mas fica para o futuro...

16. Fale mais sobre sua vida pessoal, está sozinho há quanto tempo?

Kekié? Que pergunta é essa? Rs. Sei lá, tenho problemas mentais. Vivem dizendo que sou bonito. E por ser bonito, inteligente e legal deveria ter um namorado. Não sei qual o critério para se ter namorado. Sorte? Não tenho nenhuma! Rs. Pior que não tenho nem no jogo. Estou há algum tempo só, porque simplesmente não existe alguém que me suporte? Ou não estou disposto a me anular pra ficar com alguém? Ou os caras que aparecem não tem uma gota de vontade / carinho dentro de si? Ou porque fazem expectativas além da existência física? Ou porque querem casar amanhã? Ou porque querem sexo agora? Sei que ando cansado, mas não perdi a esperança. Lá no fundo ainda há uma pontinha de mim que espera encontrar alguém que me faça sentir bem, e espero fazer o mesmo por ele.

17. Pode falar sobre ser gay em Goiânia? Ou melhor, como foi esse começo de vida gay? Como se descobriu? Sua família sabe?

Ser gay em Gayânia deve ser o mesmo que em outros locais. As pessoas dizem que cidade grande é mais aberta e coisa e tals. Mas lá estava eu, na Av. Paulista, um cara passou e criticou a forma com eu estava segurando a mochila. Estava simplesmente segurando grudado na mochila, com a duas mãos, pra não passarem e levarem. Culpa de titia que falou demais na minha cabeça, rs.
Não tive essa coisa da descoberta, foi mais uma aceitação. Sempre soube que era diferente, gostava de coisas diferentes, sempre fui tratado de forma diferente. Coisa mais estranha. Acho que por ser “doce”, coisa que você mesmo já disse, me tomavam como muito frágil. Mas a verdade é que minha imagem é sempre diferente da realidade, em todos os sentidos. E não, não estou me fazendo de Sr. Mistério. Rs. Já sofri buylling, lógico. Já passei pela fase da negação. Já dei selinho numa menina, amiga. Quase fiz sexo com outra também, aos 15. Mas a piranha da rua (que coisa feia) viajou antes da pessoa aqui chegar.
Minha família adora uma super proteção, minha mãe especialmente, por isso creio que demorei mais a confessar. Aos 15 anos mamãe descobriu minhas revistinhas de sacanagem, que não era de mulher. Ela gritou muito, ameaçou me expulsar, contar pro meu pai. Por medo mais da perda do carinho, neguei dizendo um absurdo: “estava usando as revistas pra treinar o meu desenho”. Entendo que é difícil para os pais. Afinal, era difícil pra mim. Para continuar se enganando, e não me dar apoio algum, ela resolveu comprar a idéia. Muito tempo depois, aos 22 anos, me assumi pra minha melhor amiga, depois de uma certa pressão que ela mesma fez. Perdi La virginity aos 23, com um cara mais velho. Tarde não é? Mas, não confiava nos garotos. Até porque aos 14 anos, um coleguinha que fiz no fliperama propôs fazermos um troca-troca. Depois disso, tadinho, dei um gelo nele (o que tento ao máximo não fazer hoje). E ele começou a falar mal nas minhas costas. Tipo com dor de cotovelo pela dupla rejeição. Depois, quando estava com os hormônios mais gritantes, não apareceu nenhum pra me seduzir. Não fiquei interessado em nenhum por muito tempo. Aos 24 descolei um mini namoro, com idade compatível, então contei pra minha mãe, que francamente, já sabia. Mas mesmo assim ela chorou e coisa e tals. Mas acabou aceitando. Meu pai continua em fase de negação, porque nunca falei pra ele, mas os pais sempre sabem. Não sei porque precisam tanto da nossa confirmação. Seria tão mais fácil se a aceitação partisse deles. Mas, quem quer ter um filho anormal? Então preferem negar até o último instante. Meu pai é super estranho, complex. Acho que o DNA gay vem dele. Tenho dois irmãos (sexo masculino). Um por parte de pai e outro por parte de mãe. Adivinha quem mais é gay na família? Lo filinho do papai. Já briguei com meu pai por conta de algumas coisas, inclusive já perguntei se ele queria minha felicidade, mas tudo que recebi foi o silêncio. E a indiferença da minha parte para com ele, tem sido minha resposta também. Ah sim, meus irmãos sabem sobre mim. Inclusive o hetero, que aceita numa boa e até me defende das más linguas.

18. Em algum momento foi vítima de preconceito? Como vê os gays hoje em dia? Ainda falta muito e o que falta?

Minha doçura sempre me causou problemas. Por ser diferente, sempre fui perseguido. Já ameaçaram me pegar lá fora, por nada. Numa hora estava conversando de boa com os meninos, no outro, um queria me pegar lá fora. Eu ficava muito triste, confuso, não entendia. Então, acho que fui me afastando, me fechando aos poucos. Mas a tal pegada lá fora nunca rolou. Lá pelos 13 anos, uma moça me tratava bem no minuto seguinte me tratava mal, chegou até a ameaçar me pegar “lá fora”, dizendo que ia trazer o irmão musculoso pra me acertar. Simplesmente porque eu era inteligente, tirava nota boa, tinha uma boa relação com os professores. Acho que ela tinha inveja, não tem outra explicação. E o mesmo fez um moço dessa mesma turma, tirava nota boa as minhas custas. No minuto seguinte levantava a bandeira contra minha pessoa. Chegou até a tocar na minha bunda, me humilhando perante a sala. E depois disso dei uma cortada/gelada nele. Hoje penso que ele me desejava de alguma forma, não tem outra explicação.

19. Você é um homem que faz planos?

Pior que não. Tenho tentado mudar isso urgente, pois já estou ficando velho e preciso de mais estabilidade. Ser mais aberto, enfim, crescer. Mas é difícil, mas creio que chegarei lá.

20. Algum arrependimento? O que diria para quem está lendo esta entrevista e teve o prazer de te conhecer?

Arrependo-me de não ter contra-atacado a ofensas. Devia ter lutado por mim, mais cedo. Devia ter acreditado mais em mim, e principalmente, devia ter enfrentado minha família logo cedo. Perdi muito tempo dentro de uma sombra, me negando a vida. Não compensa você ter um “falso” amor da sua família, afinal, eles tem de te amar por quem você é, não com quem você faz sexo. Mas, o que percebo é que muita gente se nega a vida pra fazer a família feliz. Se pudesse não faria de novo. Lógico que não dá pra viver sem apoio, ou é difícil viver sem a aceitação dos pais, mas enfim, meu conselho é concentrar-se em conquistar seu espaço e independência o quanto antes, para que você possa ser você mesmo, e assim provar que você é homem/mulher de valor. Aparentemente, os pais admiram (e adoram falar) isso. O resto vem com o tempo.

15 comentários:

Fred disse...

Cain?
Talentoso. Endiabrado e talentoso.
Ótima entrevista, Serginho!
Congratz!

Wans disse...

Ele já me ganhou com seus filmes favoritos.

Paulo Braccini disse...

Caraca ... um grande depoimento ... forte, denso, sensível ... enfim ... super legal ... bem Cain mesmo ... parabéns ao Sérgio pela excelente condução e ao Cain pela autenticidade ... me identifico em muitos pontos com o Cain ... na sua idade tinha muito dele, mas com o passar do tempo, felizmente me libertei e muito, por isto querido, acredite, nunca é tarde e sempre são possíveis as mudanças q nos libertam um pouco mais ...

bjux aos dois ...

;-)

Autor disse...

Não conhecia o Caim até as votações do post anterior.
E agora, lendo a entrevista, me senti meio em casa, ouvindo um novo conhecido contando sua vida. Legal quando o papo flui e vc parece entrar na vida da pessoa, se identificar com algumas coisas e pensar sobre outras: 'que isso!'.
Gostei do menino (que é lindo #Fato).
Querendo vir pro Rio, eu te cicceroneio, risos.

E vc, Serginho, tá cada dia melhor no papel de Marília Gabriela. Eu acho!

Beijos
www.confissoesaesmo.com

FOXX disse...

linda entrevista, e o Cain sempre foi lindo, eu acho tá?

Inside Me disse...

genteee, q homem lindooo \o/ qd ele disse vivem dizendo q sou bonito"... humm pq será hein? ha ha mas blz nã é tudo mesmo, o q vale é todo o resto, ela apenas complementa, e posso me declarar aqui pra vc Cain? posso? posso? ^^ bom, lá vai, amooooooooooooooooo quem tem assim esse dom pra os desenhos, adoro ver rabiscos, vai entender, eu me derreto! se por aí perto tivesse uma versao minha masculina, pronto! tavba feito vc nao ia mais ficar sem namorado viu! coisa fofa! hahahaahhahahaa agora se além disso vc me disser q ainda toca, q ama um violãozinho, aí pronto: casa, comida e roupa lavada, topa? \o/
kkkkkkkkkkkk
bjs, meus amores: vc e serginho, claro ^^ smack

ManDrag disse...

Entrevista desabafo; um rapaz confuso em busca de esclarecimento. Todos os que procuram viver o pleno assim o são.
O caminho é árduo, mas compensa.
Força, meu caro!

Beijos

PS: ainda uma mensagem para o entrevistado: não te arrependas de nada! Como dizia um amigo meu, só fazemos aquilo que nos ensinaram.

Wanderley Elian Lima disse...

Meu Deus! Lindo, inteligente, sensível, calmo, transparente, verdadeiro. Precisa de mais?
Valeu menino, quando vier a BH me inclua na lista para conhecer, vou gostar muito.
Parabéns Serginho pela entrevista.
Bjão aos dois.

melo disse...

cain, me faz de abel!
gato, você precisa de um talk show, adoro suas entrevistas..
entrevista eu!!!!!!
alônska!

[Farelos e Sílabas] disse...

Depois de tanto tempo, bom voltar aqui...

E legal encontrar uma entre{vista} com olhos seguros de si, desses cuja {vista} sabe onde enxerga e pisa onde sabe...

A vida é mesmo assim... a gente cresce pelo lado de dentro {de nossas vistas}!

Abraços gramaticais, Serginho!

Parabéns!

Lobo disse...

Morro de inveja de quem sabe desenhar. Inveja não é muito nobre, mas fazer o que, eu sinto.

Muito boa a entrevista! Sempre bom conhecer os blogayros um pouco melhor XD.

António Rosa disse...

Uma das melhores entrevistas que li até hoje na blogosfera. Tanto na condução, como nas palavras do entrevistado. Fiquei seguidor do blogue dele, para conhecer melhor. Parabéns.

Fred disse...

Valeu Serginho. Ronaldo SUCKS! Hehehehe! Hugz!

Fernand's disse...

gostei do moço... pimenta no dos outros é mesmo uma maravilha. rsrs




bjs meus, serginho.

Hugo de Oliveira disse...

Eu amei o gosto dos livros favoritos dele.