sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Travesti

O texto que vocês lerão a seguir foi escrito pelo meu querido e amado melo e vale a pena ser lido ou re-lido como tudo que ele escreve.



O livro foi escrito por Don Kulick, antropólogo sueco gay que fez um estudo sobre as travestis de Salvador por volta de 1996 e a linguagem é simples e direta, acessível para quem, como eu, está fora do meio acadêmico. Por incrível que pareça, a obra foi publicada no exterior há mais de dez anos e somente em 2008/09 ganhou uma tradução para o Português.

Ainda que todo esse tempo tenha ido desde então, o tema ainda é atual e guardadas as proporções de quando foi escrito, me parece traçar um retrato bem interessante dessas que são as párias das párias pois estão fora da sociedade e fora de nosso grupo.

Pessoalmente, vou pensar duas vezes antes de fazer piada sobre travestis (ok, nem tanto pois não quero ser um dos 'corretos' de plantão. Quando perdermos a liberdade e capacidade de fazermos troça de nós mesmos, estaremos fadados ao fim). Acho que todos nós, homossexuais masculinos, temos praticamente a mesma concepção sobre as travestis e deve ser a de que são gente suja, perigosa, escória e que não se deve manter como amizade.

Ainda que falemos o contrário aqui ou pessoalmente para dar ares de liberais, no fundo, entre paredes, não desejamos mesmo ter contato com essas que não são mulheres ou homens mas algo no meio do caminho. Qual de vocês tem amigos travestis? Digo amigo mesmo, de ir em casa, ouvir lamentos, estar presente, não de dizer oi quando vê na rua fazendo ponto, se tanto. Nós aqui não temos.

Esse livro, ainda que represente um visão única, me deu outra dimensão da realidade das travestis além de me deixar com gosto de quero mais (só não quero sair com elas...) e vou procurar mais literatura sobre o assunto (dicas são bem vindas). Mostrou como sua sexualidade e comportamento são complexos e como eu tinha sim um pré-conceito do que eram elas e que na verdade mal arranhava a superfície do que elas realmente são e representam.

Quem puder, leia.

8 comentários:

Guará Matos disse...

Deve ser realmente um importante
leitura.
Bj.

Antonio de Castro disse...

vou dar uma procurada nesse livro.

São disse...

Pessoalmente, não me agradam as bichas...mas tenho um enorme re eio de cometer injustiça, pois não sei a té que ponto aqueles ademanes exagerados até para mulheres são algo que não dependem de sua vontede.

Tudo de bom, meu amigo.

Hugo de Oliveira disse...

Após a análise do Melo, fiquei interessado pelo livro.

Fernand's disse...

gostei!


um abç pra vc, querido.

FOXX disse...

não é incrivel ele demorar tanto pra ser traduzido, o Brasil não tem mercado de leitores, e mercado gay de livros é mto menor, convenhamos, poucos gays leem.

Wanderley Elian Lima disse...

Olá menino
Indicação do Melo e sua, só pode ser coisa boa. Valeu pela dica, vou procurar.
Bjão

Diogo Didier disse...

Fiquei com vontade de ler esse livro tbm! e é bem verdade tudo o que ele disse...eu por exemplo conheço muitas travestis, mas não tenho intimidade com nenhuma delas...

Acho q temos preconceito de levá-las para dentro de casa e apresentá-las aos nossos familiares...se já é dificil ter a compreensão dos parentes sobre a nossa homossexualidade, imagine então entender os travestis...

Bom post querido! bjoxxxxxxxxxxxxx