terça-feira, 15 de março de 2011

The Week Boy


Umbandistas são engraçados. Nunca fui um, mas já estive no meio deles duas vezes. E as duas vezes empurrado pela minha ex-chefe-demoníaca. Quando cheguei lá descobri que você não paga nada e ainda ganha uma consulta com uma das entidades. A primeira vez que fui consultado era a semana dos caboclos e o que veio ter comigo era um caboclo sete espadas flamejantes, ou eram sete ervas, ah, não sei, eram muitas informações para serem processadas num dia só. Enfim, ele ficou lá me elogiando, dizendo coisas sobre mim que eu já sabia. A modéstia nunca foi meu forte. Meu forte é a rima. Na segunda vez soltaram os exus e até achei bacana no começo, mas não gostei do que veio falar comigo. Nem foi pelo fato dele não ficar me elogiando, é que ele não tinha o que dizer e nem eu. O que salvou o dia foi um menino que havia ido para a consulta como se estivesse indo para The Week e que de repente, no meio de todo mundo ficou toda trabalhada na Sarajane e abriu a roda. Gritava e rodava mais que o carro da Leila Lopes, mas ele não bateu Berenice. Pegava na calça como se fosse a saia d'uma cigana e corria de um lado para o outro. Claro que a esta altura eu nem queria saber de mais nada e sim onde aquilo ia dar. O rapaz em questão estava acompanhado de uma menina baixinha/gordinha. Segurando um charuto em uma das mãos ele a chamou da platéia com voz de trava e assassinando a língua portuguesa.
- "Tu veio com esse menino e tu ta gostando dele num tá?"
- É... (ela fazia a tímida/ingênua).
- "Mas isso é uma bixona, não vai dar em nada. Quer dizer, ele dá sim!"
- Q?
A menina não sabia se ia embora ou se esperava a entidade que havia se apoderado voltar pro reduto  (se segura malandro, pra fazer a cabeça tem hora!) e o cético aqui não acreditou em nada daquilo e até hoje ainda acho que foi uma maneira um tanto esdrúxula de sair do armário, dar um simancol pra garota e fazer um showzinho básico.
Depois disto nunca mais voltei lá. E não vi o preto velho. Eu disse que umbandistas eram engraçados...

12 comentários:

Estampado disse...

Eu respeito todo tipo de religião, mas a umbanda é um pouco estranha mesmo.
E essa coisa das "entidades" (pois as vezes são marmotagem), ficarem falando a vida dos outros na frente de todos é o que não gosto e no candomblé não tem isso.
Enfim cada um com a religião que escolheu!

António Rosa disse...

Serginho,

Já estou a intuir que vai contar-nos sobre religiões. Vou acompanhar muito de perto.

Dan disse...

eu fui uma vez. a pomba-gira me pediu charme longo toda hora!

aff

Serginho Tavares disse...

Estampado: Eu acho que cada um tem o direito de escolher o que faz feliz, respeitando a opinião de cada um. Infelizmente as religiões são sempre as primeiras a fazerem o contrário. Obrigado pela presença no blog e volte sempre.

António Rosa: Sim, meu querido. Estou escrevendo um pouco sobre algumas das minhas experiências religiosas... Vai render muitos posts, mas vou postando com calma. Beijos.

Dan: Opa! Quero saber mais disso! Conta! Beijos gatão.

Wanderley Elian Lima disse...

A bicha deve ter recebido é pomba gira. Já fui algumas vezes e gostei. Quando tiver outra oportunidade voltarei.
Bjão

Wans disse...

Nunca fui, e não tenho vontade. Não é a minha. Na verdade, religião alguma é.

bj, meu amadom Serginho.

ManDrag disse...

Eu acredito piamente em que tudo que aconteça num terreno desses é verdadeiro. Não duvido desses baixamentos e encarnações.
Eu gostaria de ter coragem para frequentar um sítio desses, mas de momento está fora de questão! A seu tempo virá a oportunidade.

Beijos

Antonio de Castro disse...

eu acredito e todo tipo de crença. se era a do cara ou a da garota... bem capaz de ter sido real.

Guará Matos disse...

Conheço alguns centros de Umbanda e não têm nada de engraçados. Existem os aproveitadores, entretanto, existe a turma estudiosa e praticante de verdade! E posso afirmar o que eu digo, pois sou desconfiado até o talo!
Meu pai que já esta em outro mundo era sarcedote da Umbanda e o cara era muito bom. Conheci outros mediuns feras também.
Tic ve oportunidade de no Candomblé ver bons e sacanas também.

Bj.

Serginho Tavares disse...

Wanderley: Eu não sei o que ela recebeu ou tomou, mas foi babado! Também voltarei lá quando tiver outra oportunidade. Beijos queridão!

Wans: A minha praia é o cinema, é a minha religião, é onde estou e me sinto mais perto do que chamam Deus. O resto apenas respeito, mas voltaria na umbanda novamente. Beijos meu linduxo!

ManDrag: Também acredito que de fatos muitos que por lá estavam, realmente incorporaram, mas ele me soou bem artificial, não apenas ele, outros também me passaram essa impressão, mas o rapaz que me refiro no texto foi o que me soou mais estranho. Enfim, era apenas a segunda vez que frequentava, mas voltaria lá e com você melhor ainda. Beijos.

Antonio de Castro: Algumas coisas me deixam com o pé atrás, mas outras eu acredito facilmente. Tenho um lado contestador e cético, talvez seja a influência de Touro no meu mapa astral e um lado espiritual forte influenciado por Caranguejo e Sagitário. Vai saber...

Guará Matos: Eu achei engraçado porque ao contrário das igrejas evangélicas, a umbanda tem o ambiente leve, afinal porque tudo tem que ser tão levado a sério não é mesmo?
Beijos.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

ahahahahhaah rachei

uma vez eu fui tb, por curiosidade...e ouvi umas coisas tão nada a ver hahaha...
e outra vez uma mulher falou umas coisas bem certas. mas se não paga, e ainda come-se uma pipoquinha do santo, tá valendo hahaha

adorei, me fez bem rir.
bjs

Serginho Tavares disse...

Alexandre Mauj: Essa pipoca eu não comi, mas que bom que gostou da história e que ela tenha te feito sorrir. Eu acho engraçado até hoje! Hahahahahaha