segunda-feira, 18 de abril de 2011

O nosso cotidiano de Clarice

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.

Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever.

Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.

O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.

E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano.

Clarice Lispector


Para Hugo porque um cotidiano sem Clarice seria muito chato.

6 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

A escolha não poderia ser melhor para homenagear o Hugo.
Beijos nos dois

Bruno disse...

clarice me descreve muitas vezes
nas outras, brigamos

bjo

Dil Santos disse...

Serginho, tu tá bem?
Menino, eu sou apaixonado por Clarice, acho-a incível. Leia De Amor e Amizade, Clarice na Cabiceira são incríveis, muito bons mesmo.
Bjo menino

CIELLO disse...

e devido a Clarice eu comecei as cronicas liricas... tudo por conta dela... e do livro dos prazeres...

"As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecemem seus caminhos.A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre."

Hugo de Oliveira disse...

Lispector nos mostra outras coisas vivenciadas, aqueles momentos sem palavras dos quais só o nosso coração testemunha. Clarice escreve textos como quem vai desvelando a realidade, sondando os gestos, os olhares; tudo tão sutilmente que quando o leitor se dá conta vê-se diante de um instante mágico, especial, ao reconhecer a sua vida, a si mesmo, através daquelas palavras.

Eu amo demais...C.L
Obrigado Serginho pela homenagem...O Nosso-Cotidiano sem Clarice seria uma merda.

Um beijo grande no seu coração.

Wans disse...

Maravilhosa! Lembro de ter terminado A Hora da Estrela em prantos. D I V A!