quinta-feira, 21 de abril de 2011

Preconceito

Para Adorno (1950) a fonte do preconceito é uma personalidade autoritária ou intolerante. Pessoas autoritárias tendem a ser rigidamente convencionais. Partidárias do seguimento às normas e do respeito à tradição, elas são hostis com aqueles que desafiam as regras sociais. Respeitam a autoridade e submetem-se a ela, bem como se preocupam com o poder da resistência. Ao olhar para o mundo através de uma lente de categorias rígidas, elas não acreditam na natureza humana, temendo e rejeitando todos os grupos sociais aos quais não pertencem, assim, como suspeitam deles. O preconceito é uma manifestação de sua desconfiança e suspeita.
Dito isto, saliento que precisamos, além de ser diferentes, fazer a diferença! A mesmice é maçante, é mãe da mesquinharia e mata.
Algumas características que são marcantes, em algumas pessoas, as fazem diferentes, e isto é muito bom. Outras pessoas não possuem características especiais, são pessoas comuns, do tipo insossas, sem sabor - talvez, também, sem saber; sabendo que saber e sabor são palavras com a mesma origem latina. As diferenças são aquilo que nos caracterizam e nos distinguem. É necessário ser diferente para não ser igual, não produzir unanimidade: Se todos pensam a mesma coisa é porque ninguém pensa!
Eu, por exemplo, sou careca assumido e com orgulho, pois este é o meu charme! Claro que o fato de ser careca tem um inconveniente: gera ciúmes, pois os cabeludos não têm o que têm os carecas: uma cabeça brilhante! E eu sou brilhante! Além disso, o fato de ser careca dá-me um charme especial, torna-me bonito e atraente para os outros gatos. Além disto, só o careca é percebido, na multidão. Se estiverem procurando alguém no meio de um grupo de pessoas, é difícil identificar quem é quem no meio dos cabeludos, mas se o cara é careca ele logo se sobressai.
Outro exemplo que me torna diferente: Alguns acham que sou meio escrachado. Só por que de vez em quando falo alguma palavra considerada "palavrão". Mas são palavras pequenas, com poucas letras! Uma palavra de cinco letras não dá um palavrão, ora bolas. Desde quando falar BUNDA, uma coisa que todo mundo tem, que dá consistência à retaguarda, que a gente usa prá sentar, é um palavrão? Falar isto  é ser escrachado? Ou então quando digo PINTO, PAU, CACETE alguns teimam em criticar-me por estar falando palavrão mas, PORRA, são palavras pequenas.  Sou grosso e escrachado só por que utilizo essas e outras palavras? Quando, eventualmente, utilizo um termo menos comum, como epistemologia, realidade ontológica, ninguém diz que são palavrões, embora muita gente nem sonhe com o significado delas. Mas como são palavras comuns na academia, me olham como se eu soubesse alguma coisa. Que coisa eim?
Na verdade o que desejo dizer é que o SABER é algo fundamental, o CONHECER é algo saboroso.  Quero um discurso bem humorado, pois isto é saudável. Lembrem-se que  humor rima com amor, e ambas se ligam a "mores" (do latim) que se refere a uma forma de comportamento socialmente aceito, de onde vem a ética e a moral e a todas as maluquices que se fez e se disse em nome do que é correto, esquecendo que muita coisa que é correta hoje, já foi errado no passado.
Com isto concluímos que nossa sociedade está marcada por preconceitos e, a maioria deles, surge em relação ao diferente. O diferente é vítima, não da novidade que traz, mas daqueles que não conseguem enquadrá-lo no pré-estabelecido. Muitos matam as novidades e, por conseguinte, as muitas possibilidades que elas carregam em si, simplesmente por não serem capazes de enquadrá-las no estabelecido. Os preconceituosos se esquecem que é o diferente que, além de trazer a novidade, trás a inovação, a raiz do progresso. Se todos permanecêssemos na mesmice ainda viveríamos pendurados nas árvores catando coquinhos.
O progresso nasce não de quem repete fórmulas, mas dos que quebram tabus. O avanço acontece não através de quem acata as ordens, mas pelos que criam desordem. Até mesmo a filosofia só deu passos significativos quando os discípulos fugiram ou quebraram as amarras, contradisseram ou foram além dos mestres.
Fica aqui a questão: O que te diferencia dos outros mortais? Qual é a tua marca? Ou você é como todo mundo?
Seja diferente e orgulhe-se disto, pois assim seremos verdadeiros revolucionários e estaremos construindo um mundo melhor, mais digno e livre de qualquer tipo desta coisa hedionda - PRECONCEITO.

11 comentários:

DPNN disse...

O irônico da coisa é que o Adorno era bem intolerante... os textos dele sobre música são típicos de um velho reclamão contra as "modernidades", achando que essa coisa toda iria acabar com a "música de verdade"...

Acho que dá pra achar um meio-termo, ser conservador em alguns pontos e vanguardista em outros. O problema é o excesso pendendo para um lado só.

Preconceito é uma reação natural do ser humano diante do desconhecido. Se continua depois de conhecer, não é mais preconceito, é convicção.

Hugo de Oliveira disse...

Perfeitooooooo...ótimo texto.
Parabéns ao Paulo e a você Serginho por compartilhar.

abraços

Junnior disse...

Olá Serginho, JaD, não entendi se o aniversário é do blog ou seu - ou dos dois. Enfim, é o que tem pra hoje: PARABÉNS!
Li algumas postagens e curti muito a forma como vc se comunica (parabéns por isso tb).
Se tiver um tempo, conheça o meu blog, ok?
Bj.s

Guará Matos disse...

Abaixo o preconceito.

Bj.
______
Não me esqueci Serginho, vou mandar o meu. É que estou no pique do sufoco..

Peripécias de Frederico disse...

Parabéns, um ótimo texto, concordo com vc. Só uma dúvida o Adorno que vc citou é o Theodor Adorno da indústria cultura?

"Voando com Borboletas" disse...

Oi Serginho...
Vim aqui ler o texto do Paulo e conhecer seu espaço.
Texto muito bom...vamos refletir!
Vem me visitar também e conhecer minha casa. Será um prazer!
Bjs
Borboleta
www.voandocomborbolletas.blogspot.com

FELIZ PÁSCOA!!!

Lobo disse...

Preconceito é inevitável. O que a gente pode tentar fazer é que ele nos impeça de conhecer melhor o alvo e nos permita mudar de opinião.

beijo Serginho!

..::voy::.. disse...

tô com o Lobo...
'precisamos, além de ser diferentes, fazer a diferença! A mesmice é maçante, é mãe da mesquinharia e mata'
justo e digno!

abraços do voy

Eraldo Paulino disse...

Post perfeito. Não sei se dá pra acrditar, mas textos bem escrito assim me deixam emocionado e excitado ao mesmo tempo.

Parabéns!

Edu disse...

Úia, uma postagem do Braccini! Mestre dos comentários, é uma grande honra ler um raro texto completo - presentão, hein Serginho? E, como em seus comentários, Bratz tá quase sempre certo, rsrs. Beijos!

Wanderley Elian Lima disse...

Matou a pau! Por falar nisso, PAU é palavrão?
Bjux em ambos