domingo, 22 de maio de 2011

Renato Orlandi, O Ausente, Parte II

Continuando a segunda parte da entrevista com o nosso querido Renato Orlandi, aqui ele nos revela ainda mais sobre si mesmo e do momento apaixonado em que vive.

Serginho Tavares:
Então, quando foi sua primeira vez?
Renato Orlandi:
Minha primeira vez é algo difícil de responder, porque eu fiz cada coisa com um cara diferente, então depende do que você considera primeira vez. A maioria das coisas, fiz com um cara em Minas com 13 anos, éramos amigos héteros, assistíamos Emanuelle na Band e entre muita masturbação rolou, mas eu já tinha feito sexo oral antes disso com outro amigo em comum, acho que tinha alguma fama pelo bairro, não sei.
Serginho Tavares:
Não sabia que era de Minas.
Renato Orlandi:
Eu nasci aqui, mas passei minha infância perdida lá.
Serginho:
Em que lugar de Minas?
Renato Orlandi:
Uberlândia, no triângulo mineiro, e o cara que eu tinha um namoro héreto era de Goiás, mais um fetiche, por goianos, rs. Eu tenho para mim que todos são fortes e bem dotados hahaha
Serginho Tavares:
E amor? Quando fez amor pela primeira vez?
Renato Orlandi:
Eu gostava bastante desse amigo hétero, era uma amizade bem diferente, bem tranquila, com penetração, quando eu fui embora de Minas ele não quis se despedir, mas apareceu no último momento, horas antes de sair o caminhão e me deu um abraço bem forte, duraroudo, só isso, não disse nada... Ainda não sei se o amei, é confuso, mas amor, amoooooor, mesmo fui fazer só com meu primeiro namorado oficial, de aliança e chuca, aqui em São Paulo, muitos anos depois.
Serginho Tavares:
Já frequentou saunas? Cinemas?
Renato Orlandi:
Nunca frequentei saunas e nem cinemas, mas tenho vontade, para conhecer, para saber como é, assim como foi minha vontade de conhecer baladas,por exemplo, inclusive tenho amigos em comum contigo que podem indicar, blogueiros. Mas agora que estou namorando essa lado está mais tranquilo, estou completo com ele na parte sexual, é bom deixar isso registrado senão eu apanho em casa!
Serginho Tavares:
No seu blog, você já deixou claro que sexo virtual é algo que costumava fazer. O que diz a respeito?
Renato Orlandi:
Eu costumo ainda, às vezes, a vantagem é que é bem rapidinho, para os outros principalmente. Quando eu usava o disfarce de Tasha, os homens gozavam muito rápido na webcam ou mesmo com a coisas que eu escrevia. Apesar de não ter [eca] os órgãos das mulheres eu tenho boa imaginação de como eles podem funcionar e por ser mais prático dá para ver vários na mesma noite, ter vários parceiros, conhecer várias pessoas. Cheguei a fazer disputas comigo mesmo. A desvantagem é a falta de contato físico, de clima, química e tudo mais, mas é divertido quando não se tem nada para fazer. E eu aprendo também a usar minha webcam, para onde virar, que lado é mais bonito em mim, isso aumenta minha performance em lugares como Motel, onde tem espelhos por toda parte, é bom exercitar. Acho super válido, é uma troca interessante, exercito minha criatividade para escrever contos eróticos, rs, não é algo que deve substituir ou se trnasformar em muleta para falta de auto estima ou vergonha de contatos reais, porque isso é muito fácil de conseguir também, é só um passatempo gostoso.
É incrível como temos uma sensação de vitória quando o cara goza né, eu dava pulos na webcam de alegria, às vezes ficava triste, pensava "precoce", as vezes fazia amigos só para isso, nos encontrávamos várias vezes por semana para nos mostrar na webcam, esses são os melhores, dá trabalho caçar, o famoso "foda virtual fixa", rs.
Serginho Tavares: 
Só um momento, vamos voltar um pouco, fale mais sobre esta Tasha que você se referiu.
Renato Orlandi:
Falo sim, até já confessei sobre a existência dela. Explico, a Tasha foi uma personagem que eu criei para ver os homens na webcam quando eu não tinha muita segurança de mim mesmo, antes de namorar, antes de me assumir, então eu peguei fotos de uma Miss Universo dos anos 70 e fingi ser ela nas salas de bate papo. Incrível que um homem excitado numa sala de bate papo acredita em qualquer papinho, às vezes eu dizia que era modelo, as vezes médica, advogada... Tasha já foi tudo, era minha forma de brincar de Barbie, Tasha já foi loira, morena, travesti, ninfeta, coroa... Conheci muitos homens com ela, mostrava as fotos, eles abriam a cam e eu ficava escrevendo, em 3 linhas gozavam. Mas essa história me fez pensar bastante nas coisas reais da vida, me fez crescer muito. Primeiro porque alguns caras se apaixonavam, quer dizer, pela minha alma [as coisas que eu escrevia] e não pela aparência. Eu vi quantas oportunidades perdemos por esse tipo de julgamento e segundo porque eu cheguei a pensar que os enganava de certo modo. Mas depois coloquei na minha cabeça que não era bem assim, descobri isso quando me assumi também. Muitas vezes as pessoas procuram pode determinadas situações, procuram ver somente o que querem por mais que a verdade esteja na cara. Quantas vezes eu tentava ser Tasha e dizia coisas no masculino ou cometia outras gafes e nada de perceberem, houve muito xingamento também, mas aprendi a dar o que as pessoas querem, houve inclusive um cara que quis namorar comigo depois de saber de toda a verdade!
Com o tempo eu descobri que ser eu mesmo na cam era bem mais vantajoso, primeiro porque eu poderia me mostrar também e segundo porque eu me sentiria desejado pelo que eu sou, pelo meu corpo e minhas próprias peripécias, então Tasha foi morrendo ou então fazendo parte de quem eu sou. Sem essa divisão toda, talvez meu lado gay/trava tenha muito de Tasha. Eu percebi que não preciso viver duas vidas separadas como minha mãe pediu no momento em que me assumi, entao o Rê e a Tasha viraram uma só pessoa.
Outro deltalhe: Tasha vem de Anastacia Beaverhausen, personagem do seriado Will & Grace. A Karen quando queria usar codenome usava esse
Serginho Tavares:
E você já viu muitos blogayros na webcam? Gozou muito com eles?
Renato Orlandi:
Dá para contar com as 2 mãos!
Serginho Tavares:
Então você faz mesmo sucesso na blogosfera!
Renato Orlandi:
Eu não sei, tenho muitos amigos, muitos casos, peguetes, "segundas mães", pessoas que vejo como irmãos, pessoas que estudaram comigo, enfim.... é bem variado.
Serginho Tavares:
Prefere ser ativo ou passivo?
Renato Orlandi:
Eu tenho duas respostas para esta pergunta, a primeira é que "eu prefiro não perder o cliente". Não a ponto de chegar no discurso de "meu prazer é te dar prazer" para o inferno com isso, mas acontece que eu não tenho realmente problemas com "o que fazer" na cama. Eu adoro as preliminares como todo mundo, mas também odeio o discurso que exalta demais essa parte, a verdade é que com algumas pessoas eu prefiro ser ativo e com outras passivo, então por exemplo, se eu encontrar um homen negro [meu fetiche], bem alto, ursão, do tipo segurança de buati, musculoso, peludinho, óbviamente que eu vou querer ser passivo, minha voz fica até mais fina só de pensar na imagem hehe. Agora quando eu vejo um minininho colegial, depiladinho, novinho e tal me dá um negócio meio animal, eu tenho que ser ativo com ele sabe? É por ai.
Essa é a primeira resposta agora a segunda é quando envolve sentimento. Eu realmente acredito que quando você está com alguém que ama, num relacionamento, talvez até com o tempo, essas definições desaparecem, o sexo se torna maior que tudo isso, se torna outro tipo de troca, o prazer, o momento, isso conta mais, então se torna indiferente pensar em quem vai virar e quem vai comer entende? As coisas fluem de outra forma.
Essa é a vantagem de ser gay. Quem não aproveita disso ou não sabe, ou nao consegue ser ativo e passivo. É limitado sexualmente para mim, tem algum problema, alguma coisa que o trava, algo que tem que trabalhar. Tem pessoas que namoram sem penetração, isso é o que? Medo? Eu respeito, mas acho estranho, é tudo questão de conversar, de tempo, de respeito. As pessoas confundem sexo com dominação fora da cama, quem fala mais grosso, que come, quem paga, existem muitas coisas em jogo.
Serginho Tavares:
Em algum momento de sua vida você viu o sexo como algo sujo ou isso sempre foi tranquilo pra você?
Renato Orlandi:
Uma vez eu vi o sexo de forma suja quando passou um vídeo sobre estupro na escola.
Serginho Tavares:
Já fez sexo com mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Se fez como foi? Com quantos? Pretende repetir ou se nunca fez, tem vontade?
Renato Orlandi:
Eu já chupei dois caras ao mesmo tempo e no mesmo lugar, os dois amigos de Minas. Significou mais para mim do que para eles, claro hehehe, tenho vontade de fazer a 3, mas com pessoas bem desencanadas, não quero comer 2 ou ser comido pelos 2. Quero algo realmente a 3, um troca-troca geral, sempre tive essa vontade. Menos trenzinho, já vi isso em filmes e não rola mesmo!
Serginho Tavares:
Já fez chuva dourada? Já passou cheque?
Renato Orlandi:
Não e não, sou enfermeiro meo beeem, me cuido bem antes disso ser moda. Claro que as coisas se aprimoraram com o tempo, mas isso é outra história.
Serginho Tavares:
Qual sua fantasia erótica? Seu fetiche.
Renato Orlandi:
Então, fetiche, fetiiiiche eu não tenho, mas existem algumas coisas que me dão tesao ou que eu tenho vontade, mas eu não sei se são fetiches, como por exemplo, tenho tesão em homens negros, tenho tesão em bermudas brancas, em cuecas boxer, em camisas verdes, em correntinhas de qualquer tipo, além de bombeiro e marinheiro por algum motivo. É que eu ando muito de branco, muitas vezes tem policiais nos hospitais onde eu fazia estágio, entao eu não tenho fetiche: eu SOU o fetiche hehe. Realizei meus fetiches já, rs, como fazer sexo no horário de estágio com médico residente e assim por diante.
Serginho Tavares:
Já teve vontade de frequentar uma praia de nudismo?
Renato Orlandi:
Nunca fui, mas ficaria a vontade, sem problemas, coisas da área da saúde, perder essa vergonha do corpo, das coisas naturais e normais da vida.
Serginho Tavares:
Se pudesse mudar algo hoje em você o que mudaria?
Renato Orlandi:
Eu  mudaria meu status profissional para empregado hehe. Eu passei num concurso mas nem todos que passaram foram convocados de imediato. E eu não quero ficar esperando, do contrário a frustração vai tomar conta.
Serginho Tavares:
Para terminar, o que diria para as pessoas que te leem e te admiram?
Renato Orlandi:
E eu nem vou falar do meu bofe escândalo? Tem gente que vai se cortar de inveja!
Vou falar mesmo assim, já que essa entrevista é algo novo eu vou responder sem ter pergunta, só quero dizer que o amor é realmente possivel, existe e está lá, eu sempre acreditei que existia alguem sendo preparado pela vida para ser o cara perfeito para mim, mas sempr ecom desconfiança, sempre algo platônico ou conto de fadas, mas encontrei esse homem, estou amando muito, estou super feliz, realizado, completo de verdade, como nunca havia me sentido antes com nenhum outro, temos muitas afinidades, muita química, é algo avassalador, indescritível, a familia dele aceita em termos, estamos muito bem
Agora respondendo a pergunta, em primeiro lugar espero que as que leiam sejam as mesmas que admiram. Isso é difícil, mas para essas pessoas eu digo que minhas opiniões são fruto das minhas experiências e que estou em constante transformação, sou um ansioso por natureza, nem sempre tenho paciencia para algumas limitações alheias e sei que quem gosta realmente de mim consegue enxergar e entender isso de uma forma menos agressiva, para as pessoas com essa sensibilidade desejo que se tornem cada dia mais próximas a mim, é essa minha intenção, e aos demais só posso dizer que sei que admiram minha coragem apesar de tudo.

16 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Parabéns Re pela transparência.
Parabéns Serginho pela entrevista.
Beijos aos dois

Junnior disse...

Olá, bom dia! Não conhecia: prazer, Renato.
Gostei da entrevista. O Renato se mostrou bastante. Mas, não sei, algo me diz que esse rapaz ainda tem muito a revelar, rsrs.
Beijos.

Edu disse...

Renateenho é supimpa! E estamos todos felizes pela felicidade dele. Merece e muito mais! :-)

Autor disse...

Adoro essas entrevistas e conhecer os blogueiros um pouco mais.

PS: Ganhei um super abraço no sábado que me disseram que foi enviado por vc!
:-)

Renato Orlandi disse...

XD

nha!

bjao meu amigo!

Paulo Braccini disse...

Super hiper mega supimpamente gostosa esta entrevista ... só q o Rê anda precisando de umas PALMADAS [ui] pelo sumiço da blogosfera ...

bjão aos dois

Fred disse...

Adoooooro as entrevistas baphônicas do J&D... hehehe! Rê é ótimo mesmo! Bjz!

melo disse...

Bafo Bafo Bafo

Amei e Renato, queres a 3? aqui já tem 2..só falar, gato....

Glaukitos disse...

Eita porra...
Bah..já sabia que o Rê era pervo...uhauahuahauhaua

Sieger disse...

Uau! Uma das mais transparentes entrevistas que vi! Besos

Fred disse...

Hummm... dia 26, então? Tá. Te apronta. Hahahahahahaha! Bjz!

Fred disse...

Pelo visto és um profundo conhecedor dos hábitos de acasalamento dos mórmons, hein????? Hahahahaha! Bjz, querido!

Fred disse...

Valeu, Serginho... hehe!Bjz!

Ro Fers disse...

Muito bacana essa entrevista, é mto bom saber um pouco mais da vida alheia...
Forte abraço!

Ro Fers disse...

Muito bacana essa entrevista, é mto bom saber um pouco mais da vida alheia...
Forte abraço!

Johan Korovha Wagner disse...

Acho que o pai não está maduro o suficiente para encarar esta liberação! Há muita a se fazer antes de liberar mais uma droga!