segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os 10 discos que mudaram minha vida

Por Alexandre Melo

Um pedido de ST não se nega, se atende assim de bate/pronto. Como me deixou o tema livre, resolvi fazer um Top 10 dos discos que mudaram minha vida. A lista não está em ordem de preferência, são discos que de certa forma marcaram ou mudaram minha vida e o modo como eu ouvia música.
Talvez seja um amontoado de ‘velharias’ para alguns, mas, prefiro pensar que pode ser uma abertura para quem deseja conhecer coisas que de alguma forma influenciaram boa parte do que temos hoje.
Espero que gostem e se gostarem, não baixem, façam um esforço e comprem o original porque são obras que, em minha opinião, devem fazer parte da discoteca básica de qualquer mortal.

1.       The Smiths – ‘Hatful of Hollow’
1984, 29 anos e eu lembro claramente quando comprei esse disco em uma tarde de sol com nuvens negras à distância anunciando chuva. Em casa, havia uma radia-vitrola Phillips e quando pus para tocar esse disco tive uma revelação.
As guitarras de Johnny Marr criando texturas únicas para as lamúrias de Morrisey sobre amores perdidos ou pior, não realizados e cantando uma sexualidade que para mim era certa mas ainda obscura. As capas dos discos são obras de arte a parte e quase sempre de forte teor homoerótico.
Desse disco, além do hino ‘The boy with the thorn in his side’ acho ‘Please, Please, Please, let me get what I want’ uma jóia rara, uma ode a quem deseja voz e que ainda hoje se mostra sensível e atual.
A banda acabou em 1987 deixando um bando de órfãos.

2.       Cocteau Twins – ‘Treasure’
1984 deve ser um ano cármico porque este também lhe pertence. Não é um disco fácil, eu mesmo só fui absorvê-lo de todo depois de muitas audições mas o efeito foi catártico, lisérgico e creio que até hoje poucas bandas possuem uma identidade tão única.
Não era música, era algo mais, vinha do céu, eram profecias balbuciadas por Liz Fraser emaranhadas em camadas e camadas de guitarras surreais de Robin Guthrie. Nunca foi preciso entender as letras (se é que havia), bastava deixar-se levar pelo conjunto ímpar até outras praias, mundos, consciências.
Com o passar do tempo, ficaram mais palatáveis porem não menos geniais até sua despedida em 1997. Sou um dos felizardos que pode vê-los ao vivo no defuntíssimo Projeto SP lá pelos idos de 88/89 se não me engano.

3.       Suede – ‘Coming up’
Lembro de quando ouvi Suede pela primeira vez no toca-fitas (sou desses) no carro de um grande amigo, ‘Trash’ rasgou meus ouvidos com guitarras ácidas, um toque de ‘glam rock’ e um refrão que grudava no ouvido feito argamassa.
Novamente as músicas versavam sobre um cotidiano sorumbático e horizontes mais perdidos que a geração da época, foram meio que ofuscados por Blur e Oasis mas nunca fizeram muita questão mesmo de serem ponta de lança de qualquer movimento e quem pode vê-los aqui em 2012 (chorei rios, sou fã rasgado) teve a alma lavada; pena que boa parte das pessoas no show mal sabia do que se tratava e oxalá eles voltem para um show menor e apenas deles já que há disco novo saindo em Março.
Se você nunca ouviu ‘Animal Nitrate’, melhor mandar verificar seus ouvidos...

4.       Ira! – ‘Psicoacústica’
Acho que esse é um dos melhores discos de rock nacional já feito e, minha opinião, o auge do Ira!
Além de a capa ser foda (vinha um óculos 3D para ver o efeito ‘Um corpo que cai’) as guitarras de Edgar Scandurra estão afiadíssimas, as letras são petardos e a mistura de ritmos brasileiros com hip-hop e ‘samplers’ antecipou muito do que se faria anos depois não convertendo entretanto isso em sucesso comercial.
Ouça ‘Rubro Zurro’ que acho uma das canções mais fodas já feitas! Mudou a visão que eu tinha de rock nacional à época e me fez passar a ouvir mais bandas locais que viriam depois a fazer parte da minha discoteca básica.

5.       Legião Urbana – ‘As Quatro Estações’
Sim, eu gosto deles e muito! Fui ao shows e quase idolatrei Renato Russo ainda mais depois do ‘Stonewall Celebration Concert’.
Na verdade, esse disco em si é uma arca de ‘hits’ consagrados mas penso ser um divisor de águas para LU, quando eles finalmente acharam sua identidade e se puseram no caminho do amadurecimento ajudados pela saída do armário de Russo.
Pessoalmente marcou uma época especial de minha vida e cada canção do disco me é cara por um motivo único além de ser mesmo um disco excelente. LU não era cru como outras bandas, era um biscoito mais fino para ser degustado lentamente e ainda que considere Russo hermético muitas vezes, de alguma forma, o que ele dizia chegava onde queria chegar.

6.       Roxy Music – ‘Avalon’
Se for regra sair do palco quando ainda a luz está sobre nós, o Roxy Music fez isso com toda a gloria com esse disco que serviu de base para quase tudo que se fez nos anos 80 em termos de New Romantic e afins.
Melodias intrincadas, sofisticadas sem ser barrocas num ar quase blasé acentuado pela voz de Bryan Ferry, um pop chic, bem feito, aquele tipo de disco que você pode usar em quase todas as ocasiões desde festas até para deixar tocando enquanto toma umas e conversa com amigos em casa.
Ouça ‘True to life’ e ‘To turn you on’ e veja se não estou certo. As capas dos discos (quase sempre ostentando belas mulheres em ensaios que mais pareciam pinturas do que capas em si) são para mim verdadeiras obras de arte.

7.       The Velvet Underground & Nico – ‘The Velvet Underground & Nico’
Esta é uma das bandas que mais gosto. Se tivesse de escolher cinco discos pra ouvir antes de morrer este aqui seria certamente um deles.
Tudo aqui se encaixa, os experimentalismos de John Cage, as letras sórdidas de Lou Reed (quase sempre versando sobre o submundo, putas, drogas, gays, BDSM e afins) e seu vocal quase falado e a benção e Warhol que os colocou sob sua proteção.
A cereja do bolo vai para Nico (Christa Päffgen) que com seu ar de oficial da Gestapo dava um charme único às canções do grupo; sua carreira solo é simplesmente incrível e se tiver chance ouça o disco ‘Chelsea Girls’ que merece estar entre a discoteca de todos que gostam de música.

8.       Felt – ‘Ignite the seven cannons’
Na esteira de Cocteau Twins (Guthrie produziu o disco) temos essa pérola. A capa do disco já sugere o conteúdo, uma tapeçaria fina, um tecido delicado ao toque, harmonias sutis e guitarras carregadas de efeitos aliadas à voz de Lawrence, lânguida, como se cantasse quase chorando às vezes.
Algumas músicas são apenas instrumentais e remetem a um clima de menestrel, algo como se estivéssemos em um salão de corte ouvindo o dedilhado sendo feito aos poucos num jogo de luzes bruxuleantes.
Ouça ‘Primitive Painters’ onde a voz ímpar de Liz Fraser empresta à canção aquele charme a mais que transmuta simples canções em obras-primas eternas.


9.       New Order – ‘Low Life’
Das cinzas do Joy Division, saiu essa banda que conseguiu juntar como poucas outras um pop dançante, com sofisticação em muitos momentos e o som inigualável do baixo de Peter Hook, marca mais do que registrada da banda.
Esse disco une momentos lindos como ‘Elegia’ ao lado canções pop perfeitas como ‘face up’ e ‘Subculture’ mas, a melhor de todas é ‘Perfect Kiss’ em minha opinião uma das melhores musicas já feitas (vá atrás da versão original de quase 10 minutos, no disco mesmo ela tem por volta de 5 minutos).

10.   Tom Waits – ‘Frank’s wild years’
Não é para todos, já adianto. Numa primeira audição você vai querer parar ou pensar que seu aparelho de som está com problemas.
Mas, deixe de lado os preconceitos e mergulhe na voz rouca e atormentada de Waits e seu mundo de cafetões, drogas e uma constantes preocupação com o diabo (ele mesmo já fez esse papel em alguns filmes) como se lhe houvesse vendido a alma em troca de talento e o tinhoso o tivesse enganado só que o tiro saiu pela culatra pois Waits é divo, único.
Ela passeia pelo jazz, por ritmos latinos, ar de cabaré de terceira categoria, esfumaçado e cheio de degenerados, gente esquecida por Deus mas acolhida pelo demônio seja ele em carne e osso ou personificado nas mazelas da sociedade.

17 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Serginho
Faalr em Melo é falar em bom gosto.
Bjux

ManDrag disse...

Boa lista e eclética.

Beijos

Wans disse...

Porra, enquanto descia a página conferindo o top 10, lágrimas vieram aos meus olhos. Por isso casei com ele. Fato!

Fred disse...

Melo vive! WOW!!!! Adoro ele e também seu repphynado gosto musical! Lindo post! #adoreimiami! Bjs!

São disse...

Tom Waits é dos meus preferidos, mas - francamente - nenhum disco até hoje mudou minha vida, não.

Beijinhos, meu bem.

Edilson Cravo disse...

Serginho:

Melo é uma coisa...o bom gosto chegou e ficou...afeeee...rs

Linda semana. Beijooo.

O filho da Chiquita. disse...

Já tentei postar uma lista dessas, mas não consegui...Muito disco na minha cabeça, tenho medo de esquecer alguns. E eu tenho New Order no S2 FOREVER!

o Humberto disse...

Benza Deus os discos que mudaram sua vida. <3

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Gente! Melo vive??? rs

mas enfim The Velvet é máximo da lista ... eu tenho ...

bjão

FOXX disse...

por um instante eu achei que era o Serginho quem tinha escrito, ai eu pensei: "isso tá a cara do melo", ai voltei e era ele mesmo.

Leo Natura disse...

Um CD que, de certa forma, mudou a minha vida foi Per Amore, da Zizi Possi. Foi depois dele que resolvi estudar Italiano.

Bruno Etílico disse...

quem escreveu isso? não tem mto haver com o que tô acostumado a ler...

MAS: amo o primeiro disco, detesto legião, new order faz parte da cafonice que me encanta eacho que só
rss


bjo

superficialevulgar disse...

2 e 7 são geniais, sys

Fred disse...

As viúvas do Melo tudo atiçadas, nzé? Hahahahaha! Bjs!

" O PIMENTA ! " disse...

Oi querido, obrigado pela visita ! gostou do set? bjo

Dil Santos disse...

Serginho amigo, tudo bem?
Ah sem dúvidas Legião Urbana, rsrs
Bjo

Fred disse...

Coxinha na rua?!? Jamé! Homem meu - que desfruta dos meus coxões - não pode comer besteria na rua... hahahahahahaha! Bjos!