segunda-feira, 11 de março de 2013

Oz - Mágico e Poderoso, por Alan Raspante

O Alan Raspante, aquele que muda de blogue como quem muda de roupa fez um novo blogue, mas já o deletou, do jeito que vai entrará no Guiness. O moço lindo também me contou um segredo que eu não contarei a vocês, é segredo. Mas para não deixar vocês tão tristinhos e curiosos assim, eu estou aqui com o primeiro e último post do seu ex último blogue, parafraseando cinema. Não duvido que o blogue retorne, afinal, estamos falando de Alan Raspante...

Não adianta: a moda de "revitalizar" os clássicos (contos infantis e afins), de fato, pegou. Já tivemos o prazer de ver "Alice no País das Maravilhas" (2010), "A Garota da Capa Vermelha" (2011), "Branca de Neve e o Caçador" (2012) e "João e Maria - Caçadores de Bruxas" (2013). Porém, a lista não acaba, pois ainda temos "Jack - O Caçador de Gigantes" (2013) que tem a sua estreia marcada para este ano. Portanto, acaba sendo difícil não usar aquele argumento que vem sendo comentado desde a época do lançamento de "Alice": Hollywood não respira mais originalidade. Está certo que também não podemos generalizar, mas o tema acaba sendo bem recorrente, afinal, estamos em um verdadeiro retrocesso cinematográfico. Mesmo que a maioria dos filmes citados neste parágrafo não tenha dado o devido retorno financeiro aos seus respectivos estúdios, "eles" parecem não dar à mínima. Apostar em algo novo parece ser arriscado demais. Se bem que, antes fosse essa a preocupação. Querendo ou não, os estúdios acharam uma zona de conforto e, mesmo que não seja algo muito apreciado pela crítica e pelo público - que parece menosprezar ainda mais esta "moda" de revitalizar clássicos e afins -, Hollywood se mostra cada vez mais capaz de apostar no velho. Enfim, a discussão acaba sendo um ciclo vicioso e o filme "Oz - Mágico e Poderoso" é apenas mais uma vertente perdida na discussão.
Estranhamente, o estúdio Disney parece ser o mais ávido em remodelar os antigos clássicos. Veio à bomba de Tim Burton, "Alice" e agora vem esse tiro no escuro de Sam Raimi, "Oz - Mágico e Poderoso". Claro que, sendo um filme com a marca Disney, não podemos esperar por algo muito ousado e fora dos padrões normais, mas era, ao menos, esperado que houvesse um pouco mais de criatividade por parte deles. Era esperado também que os erros cometidos em "Alice no País das Maravilhas" fossem sanadas nesta obra que promete ser uma saga. Claro, isso não ocorreu. Aliás, apenas intensificou. Existem algumas cenas onde é possível perceber a mão de Sam Raimi (em algumas cenas de sustos com a Bruxa Má), porém, não se engane: "Oz" é um filme feito e pensado por produtores. Isso sem contar no público alvo. Está certo que todo mundo também esperava por uma obra mais infantilizada, mas foi desnecessário fazer um filme tão didático assim, afinal, e o público adulto? Como o público adulto fica nesta história toda? "Oz - Mágico e Poderoso" não possui nenhuma gag eficiente e ainda possui uma história de amor extremamente insossa e desnecessária. A aventura é piegas e as "emoções" que poderiam causar ficam a ver navios. Deste modo, "Oz" se torna um verdadeiro sonífero. Para as crianças é um possível divertimento, mas para os adultos... Bem, aí são outros 500.
Como você já deve saber, "Oz - Mágico e Poderoso" possui como proposta mostrar a história do Mágico de Oz, a sua chegada a terra de Oz (ou melhor, antes da Dorothy meter o bedelho lá em 1939!). Assim como no filme original, temos uma primeira parte em preto e branco (aliás, um início maravilhoso que se mostra um estranho desperdício), estamos no Kansas e há um tornando que faz a ligação entre o mundo real e o mundo de Oz. A primeira parte é agradável, mas o filme muda completamente quando vamos para Oz. O roteiro se perde em situações esdrúxulas. Qual a história? Simples: o Mágico fajuto tem que matar a Bruxa Má. Porém, o mesmo é enganado (também pudera com tanta bruxa) e vai atrás da bruxa errada e quando descobre qual é a verdadeira outra bruxa surge: mais forte e mais terrível. Ao menos, Sam Raimi nos faz acreditar nisso. Mas enquanto isso o Mágico vai fazendo amiguinhos pelo caminho (tal qual a Dorothy no original, claro!) e, óbviamente, o Mágico vai tendo lições sobre amizade, companheirismo e por aí vai. Ou seja: o roteiro é extremamente previsível em todos os sentidos. As cenas vão se arrastando e a "preguiça" em si acaba sendo a protagonista do filme. Sim, Sam Raimi dirigiu no automático com algum produtor mandando e desmandando por perto. Infelizmente, é a única resposta que encontramos para um diretor do calibre dele fazer uma obra dessas.
O visual é esplêndido e a trilha sonora de Danny Elfman é maravilhosa, mas o filme, claro, só se garante na parte técnica. A bonequinha de porcelana rouba a cena e James Franco apenas demonstra uma canastrice fora do comum. Aliás, o que vem acontecendo com o ator desde o ótimo "127 Horas"? Tenho a impressão que James Franco sempre interpreta o mesmo personagem, é como se eu não conseguisse mais desconectar o ator dele mesmo (sempre vejo James Franco interpretando James Franco e não o personagem... entendem?). Resumindo: James Franco não está bem no papel, ao menos, não conseguiu me cativar. Mila Kunis é um verdadeiro desperdício em cena, assim como a sua companheira Rachel Weisz (o cachê deve ter sido muito bom) e para completar temos a bela Michelle Williams literalmente "jogando no lixo" a ótima carreira que vem construindo nos últimos anos. Eu sei que exagerei, mas, Williams vinha de excelentes papéis e a sua participação nesta produção acaba sendo estranha. Se bem que, Williams realmente precisava de algo mais suave (creio que ela deve ter se divertido bastante). Em contrapartida, Williams é a única que parece estar à vontade em cena e olha que é a personagem que mais tinha tendência a ser chata na história em si (afinal, estamos falando da Bruxa Boa...). Sei que apenas destaquei as falhas, pois as mesmas são as mais evidentes, mas, "Oz - Mágico e Poderoso" até consegue ser melhor que "Alice no País das Maravilhas". Porém, o filme prometia mais e merecia ser melhor que isso. Poderia ter sido uma homenagem mais consistente, porém, não possui o mesmo encanto da obra original. Infelizmente, isso eles não conseguiram copiar.
(Alan Raspante)

4 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

:-p

São disse...

Esta é a segunda análise acerca do filme que leio hoje na blogosfera e são completamente diferentes: viva a diversidade humana!

Te abraço, emu bem.

Fred disse...

Eu juro que fiquei meio desconfiado com esse filme... mas vou ter que assistir pra ver qual é, nzé? E tipo assim: o Lolito Raspante agora atende aqui no JeD?!? Isso tá virando uma cooperativa, hein? Ou máfia? Hahahahahaha! Bjos!

Alan Raspante disse...

Ah, Sé... Acabei postando no "Mórbida Paixão", hahaha Viu? Agora eu tomei jeito :D

Adorei ver um texto meu aqui no blogue =D Disponha sempre, querido!

Beijão!