quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

POP!

Ouvindo over & over, SerginhoT vai lá!!!!

jet lag

Longas viagens de avião. Desconforto, comida ruim, aperto, insônia, gente querendo fazer amizade para passar o tempo, filmes sem legenda ou com áudio em mandarim arcaico.




Não mais! Está comprovado cientificamente como aliviar toda essa tensão. Sempre soube disso, sou dessas afinal, você acha mesmo que um bando de gente confinada num espaço desses vai mesmo segurar ou se entupir de Luftal?????

Boy Magia de quinta: Jacob Artist




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Resumo da Ópera, ops, do Oscar!

E aí pessoal? O que acharam do Oscar? Gostaram? Não assistiram? Bem, a cerimônia este ano foi repleta de números musicais, para quem gosta um verdadeiro prato cheio! Eu confesso que sou desses! Pra começar o mestre de cerimônias, Seth MacFarlane cantou (e o cara canta bem) primeiro num número engraçado sobre peitos, depois tendo como companhia o bailado de Charlize Theron com Channing Tatum. Foi lindo e eles flutuaram no palco. Depois Seth se une a Daniel Radcliffe e Joseph "Gostoso" Gordon-Levit em mais um número fofinho. Logo depois ao apresentar a homenagem aos 50 anos de James Bond quem surge? Ela, Shirley Bassey com sua inesquecível performance de Goldfinger. E os números músicas não pararam por aí. Eis que Catherine Zeta-Jones mostra que continua em forma ao apresentar o número de abertura de Chicago, era a homenagem aos musicais mais recentes. Mas a coisa esquentou mesmo quando JenifferHudson provou porque é uma das grandes cantoras da atualidade e provou mais ainda que ela pode ter perdido o American Idol, porém ganhou um Oscar, rá! Sua apresentação foi emocionante, assim como o medley de Les Misérables que de miseráveis não tem nada, basta somar a conta bancária de todo o elenco que estava no palco e cair pra trás, brincadeiras a parte, eles são bons e ao vivo melhor ainda. Adele foi outro número bacaninha e bacanão mesmo foi a diva Barbra Streissand  cantando The Way We Were em homenagem ao amigo Marvin Hamlisch falecido ano passado. 


O mestre (gato) de cerimônias foi divertido e acima de tudo soube conduzir a festa. Gostei dele, fugiu do habitual. Quanto aos prêmios foi o que se esperava: Argo venceu por melhor filme e Ben Affleck emocionadíssimo agradeceu a pai, a mãe, ao cachorro, ao papagaio e a periquita da mulher dele que anda muito satisfeita tendo sempre a visita daquele homão. Daniel Day-Lewis foi o melhor ator, mesmo eu não tendo o menor interesse em ver esse filme, Daniel é um tipo de ator raro neste ramo, nesta indústria, que não parece  se achar o máximo mesmo sendo, Christoph Waltz foi o melhor ator coadjuvante repetindo as falas de seu personagem no agradecimento e tendo que chupar o Tarantino o resto de sua vida, afinal quem era ele a noite antes de Tarantino aparecer em sua vida? Aliás, quem é ele sem Tarantino? Se ele não quiser eu chupo, sou desses. Continuando, Anne Hathaway foi mesmo a melhor coadjuvante cantando com voz embargada. E eu adoro a Anne. Jennifer Lawrence foi a melhor atriz e ficou tão emocionada que tropeçou  na escada que levava ao palco, tadinha, mas ela pareceu nem se importar ou disfarçou muito bem, afinal ela tinha um Oscar, eu iria tropeçando, dando voadora ou pulando de um pé só se um dia ganhasse um! Ela é  atrapalhada, mas é fofa, apesar que torcia pra Jessica Chastain. Adele ganhou pela canção de Skyfall, Anna Karenina teve o melhor figurino, Valente foi a melhor animação, Amor, o melhor filme em língua estrangeira, As Aventuras de Pi, obteve os prêmios para os melhores efeitos especiais, melhor trilha sonora, melhor fotografia e o melhor diretor, Ang lee (dançou Spielberg). Enfim, tudo barbada e surpresa mesmo apenas na categoria de melhor edição de som com um empate entre A Hora Mais Escura e Skyfall. Achei justo.
Enfim, foi este o resumo e logo mais posto na página do JED no facebook, as fotos bafônicas da festa. Mwah!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Oscar 2013

E como é de praxe aqui no JED vamos comentar sobre a 85º edição dos prêmios da Academia, o Oscar que até hoje ninguém sabe porque se chama assim. A grande Bette Davis reclamava para si a autoria do nome, mas isto nunca foi tido como certo e o que se sabe mesmo é que ainda é o prêmio mais badalado da indústria e se é o mais importante eu já não tenho lá tantas certezas, visto os muitos filmes que são favorecidos em detrimento de outros bem melhores.
De resto vamos ao Oscar deste ano. Mais uma vez temos excelentes filmes indicados e para quem ainda não sabe quais são, segue abaixo um vídeo muito divertido que mistura todos os indicados num excelente trabalho de edição e se mesmo assim você continua sem saber, clique aqui:


Eu acredito que o grande vencedor será Argo dirigido pelo gostoso do Ben Affleck que assim como Quentin Tarantino e Kathryn Bigelow foi injustiçado e não está indicado ao Oscar de melhor direção. Vai saber o porquê dessa mancada! Pelo menos concorre como produtor do filme, menos mal.
Tarantino também não deve sair de mãos abanando, não concorre como diretor mas concorre pelo roteiro de Django Livre e tem boas chances de levar seu segundo Oscar para casa.
Quem também tem grandes chances é Adele pela música de Skyfall é a mais conhecida e a melhor também.
Já para o melhor ator, tudo leva a crer que Daniel Day-Lewis leve este prêmio já que o melhor ator do ano foi deixado de lado (John Hawkes por The Sessions), enquanto Jessica Chastain e Jennifer Lawrence duelam pelo Oscar de melhor atriz. Eu assumo que minha torcida é pela primeira; a barbada mesmo é a fofa da Anne Hathaway que dificilmente perde o Oscar de melhor atriz coadjuvante este ano pela sua interpretação em Les Misérables. Já o melhor ator coadjuvante eu não tenho a menor ideia, Javier Barden foi menosprezado pela sua atuação em Skyfall então, Waltz ou Arkin, talvez?
Então é isso, assistam ao Oscar pela TNT com os jocosos comentários do Rubens Ewald Filho, ou pela Rede Globo depois de metade da cerimônia ter sido exibida. Infelizmente é o que a nossa querida TV tem de pior para oferecer enquanto euzinho aqui ainda não está lá comentando tudo para vocês!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

31


A espuma branca, cheia de pequenas bolhas universais ensimesmadas de sonhos, desfazendo-se na areia cálida do fim de dia enquanto à linha dos olhos o mar já negro a seus pés adquirira ao longe tons borrados e alaranjados sugados do sol que ia mergulhado já pela metade naquela faixa de mundo sem dono, etérea, paralela, entre os dois destinos e sem pertencer a nenhum deles.

Os dedos dos pés lambiam sôfregos a espuma salgada e se pudessem, cuspiriam, mas simplesmente enfiavam suas bocas fundo na areia morna, feito mariscos assustados. Os olhos iam daquele gesto simples ao tremulo horizonte refletido nas águas tingidas na distancia, buscando algo que saísse de um dos universos em colisão e lhe mostrasse que havia um sentido embutido em tudo ou quase tudo.

Aos poucos a praia ia enchendo-se de pessoas em alvas cores, carregadas de frutos, flores e desejos não feitos do ano moribundo para vê-los afogar nas águas salgadas e, oxalá, dia seguinte não devolvidos à praia, vingarem no ano vindouro. A noite caía agora voraz, fome das oferendas, ia devorar os sonhos de uma bocada só, os dele também, ali em pé, olhando s luzes da orla bruxuleando nas ondas que davam na praia.

Foi se formando uma profusão de pequenos pontos de luz na areia, coisa barroca, crendice branda, pura e insípida expressa nos ramos de flores brancas, barquinhos cheios de quinquilharias de segunda, gente pulando sete vezes e aspergindo a água benta salgada por sobre os ombros. Ele sem nada, um botão sequer, um ramalhete, uma oferta pífia que fosse nada a não ser as mãos abanando e o coração leve largado lá na frente onde as ondas se formavam pela tragada da divindade.

Orou, de mãos limpas e olhos fechados, coração arregalado, pernas bambas; nunca feito às festividades pagãs ou não, convertido agora em crente vitima do amor cedo demais partido, quebrado, tirado de si a metade que nem chegou a saber o contorno. Chamou a divindade, pediu, tudo em troca, nada prometido, bastava ser de novo com ele, ainda que por apenas sete ondas, sete mares, sete vidas, sete amores.

O que os céus não podem saborear, visto que a eles foi demasiado cedo, deixe a terra sorver o gosto até que ele se dissipe da boca deixando nada mais que ar quando, finalmente, for buscar ares mais divinos, etéreos e eternos ainda que o coração guarda, para sempre, o gosto. Abriu os olhos e neles havia ondas, as luzes das velas fincadas na praia eram pequenos caleidoscópios burlando sua visão.

Do mar, foi assim vindo uma forma, não sabia se a umidade ocular ou as oferendas pulando ondas lhe tiravam a presteza do sentido; olhou ao redor, as pessoas ainda em cantilenas, pulando lá suas sete vagas, conduzindo seus barquinhos mar adentro, não afeitas àquilo que saia do mar.

Esfregou as vistas com vigor, forçou novamente o olhar. No céu, poucas nuvens em vinho se debatiam ante o estrangulamento final do dia, vinha em sua direção, saído do mar, da noite, das ondas, de si, não sabia, foi chegando era a dona das águas, olhou aparvalhado aos lados, nada, ia chamar os outros que podiam lhe dizer que estava ou não dono de si mas as águas que seduziam seus pés eram agora cimento e não podia mexer-se.

Finalmente, estava a poucos metros de si a divindade, procurou divisar sua forma, sua indumentária mas quase caiu de costas quando na verdade se viu ante dele, aquele que fora antes de completar o adeus (que só termina quando não sabemos ter dado o olá), parvo e pálido, estremecia em medo até que o tocar leve e úmido na face lhe trouxe o sentimento do toque já perdido, jamais olvidado.

Fechou e abriu os olhos sequencialmente, como para ter seguras quantas listras tinha o tigre e, lhe sendo impossível dirimir sobre tal quantidade tão impar e universal, fixou os olhos no amor marítimo que lhe estendia a mão leve, pacifica, doce, serena.

Foi-se. No dia seguinte, comentou-se exaustivamente que, naquele ano, nada dera à praia depois, todas as oferendas haviam sido solenemente aceitas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

10


Convite de ST a gente não declina, reclina e aproveita. Como abriu as portas (as pernas ainda estamos estudando como fazer) e estou imbuído do espírito listador, resolvi fazer uma lista com os 10 filmes que marcaram minha vida.

Coisa ingrata de fazer já que continuo vendo filmes e pode ser que amanhã ou depois essa lista seja ‘mentirosa’ mas, procurei focar naqueles que (conforme fiz na lista de discos) de alguma forma, deixaram alguma marca inequívoca e permanente em mim.

A lista, novamente, não está em ordem de preferência e para cada um aqui listado, há outros tantos que deveriam figurar o que não significa que goste menos deles. Espero que gostem e, se puderem, assistam.

1. Crepúsculo dos Deuses



O nome é Desmond, Norma Desmond. Obra-prima do (gênio) Billy Wilder a ser venerada, degustada, vista e revista. A trama é simples em si: roteirista fracassado e endividado cruza o caminho de estrela do cinema mudo reclusa e esquecida envolvendo-se em suas fantasias de um grande retorno às telas e de sucesso que um dia existiu.

Crítica ácida ao ‘star system’ (que vigora até hoje porem remodelado e adaptado aos tempos modernos) da época que começava a criar novos ‘deuses’ enterrando aqueles que não conseguiram fazer a transição do cinema mudo para o falado herdando, todavia, o mesmo estilo de vida de seus predecessores numa época em que haviam efetivamente estrelas e não celebridades.

A grande sacada do filme foi ter usado Gloria Swanson (estrela do cinema mudo) no papel de Norma Desmond já que esta era efetivamente um eco real do personagem, guardadas algumas proporções, dando a ele tons realistas. Isso aliado ao defunto-narrador, fato insólito para a época já que o filme começa pelo fim.

De certa forma, vejo cada um de nós como Normas Desmond conforme os anos se passam e vamos ficando mais no passado enquanto novos astros entram em cena e isso digo sem rancor ou fel já que é fato inexorável. Porém, como ela, quem de nós não anseia em ter sobre si novamente as luzes dessa ribalta ao invés do pano caindo?

2. Cidadão Kane



Charles Foster Kane, magnata da mídia que construiu um império ao seu redor cercando-se de coisas belas e caras, comprando tudo que podia e não podia, manipulando tudo/todos ao seu redor para atender aos seus interesses travestidos em informar o publico com a verdade e nada mais que a verdade.

Orson Welles (ator e diretor) nunca confirmou o fato mas é comumente aceito como um film à clef inspirado em Wiliam Randolph Hearst (magnata da mídia americana do começo do século XX).

O filme é marcante pois a vida de Kane é contada em flash back e não pelo próprio mas pelas pessoas próximas a ele (amigos ou nem tanto) entrevistadas por um repórter encarregado em fazer uma matéria sobre o ‘grande homem’ por ocasião de sua morte (num paralelo com ‘Crepúsculo dos Deuses’, o protagonista do filme também é defunto). Tudo isso faz de Kane um filme único para a época além de outras técnicas inovadoras de filmagem e de uma cena final que até hoje é usada como referencia no cinema.

Impossível não fazer paralelos com outras figuras de nosso tempo como Roberto Marinho, Silvio Santos. Sabe-se que um filme é imortal quando mesmo depois de décadas, ao assisti-lo, temos a impressão de que foi feito ‘ontem’.

Cidadão Kane é um desses raros casos e, sendo clichê, o preço que se paga por realmente conseguir tudo que se quer.


3. Beatiful Thing



NYC, lá pelos idos de 1997/98. Eu e um grande amigo perdidos na cidade-maçã, feitos vermes da fruta, comendo cada pedaço dela em lugares, luzes, sons e imagens.

Namorava à época, primeira vez, coisa conturbada e perturbada, disfuncional mais por novos que éramos e imaturos no amor ainda esse que não diz(ia) o nome. Enfim, eu e esse amigo vagando por NYC soubemos de uma mostra de cinema LGBT que ia por alguns pontos da cidade e lá fomos nós, não me recordo exatamente onde, assistir a esse filme inglês.

Saí do cinema transtornado, extasiado, como se minha vida tivesse passado para a tela, como podia aquele filme dizer tanta coisa que eu nem sequer sonhava em ouvir? Lembro que saí tão agitado que procurei o primeiro telefone publico e liguei para meu namorado no Brasil chorando ‘eu te amo’ e com uma vontade imensa de tê-lo em meus braços.

O filme trata o amor guei de uma forma singela, pura, simples, honesta e sem estereotipar; na época, quando ser guei era algo ainda estranho e havia o panicaids, ver e ouvir tudo aquilo fez uma diferença imensa e também fez com que eu tivesse ainda mais fé no amor que sentia e no tipo de vida que eu sabia ser o certo para mim.

Tudo isso devidamente amparado por uma trilha recheada de clássicos de ‘Mamas & The Papas’ e Mama Cass, as canções caem feito luva e apesar de serem clássicos eternos, depois do filme, me é impossível desassociar as mesmas das cenas do filme.

4. Hedwig & The Angry Inch



Ela veio do outro lado, de uma cidade dividida em duas. Assim como a Berlim pós-guerra, Hedwig foi dividida em dois e busca sua identidade perdida e sua unidade.

Há uma certa critica se considerarmos Luther, o soldado americano ‘capitalista’ que seduz Hansel, o guei jovem ‘comunista’ ambos atraídos pelo objeto do desejo proibido pois pertence ao outro lado em todos os sentidos. Porém, o capitalista depois de adquirido o alvo da sedução, troca por modelo mais novo como prega a cartilha e deixa Hansel com o altíssimo preço pago por atender não a si mas aos desejos do outro.

Essa busca é amparada por números musicais poderosos, eletrificantes e é impossível não ver um pouco de si em Hedwig já que somos divididos, sempre na busca seja de algo ou alguém e muitas vezes delegamos a outros essa tarefa quando ela é exclusivamente nossa.

Isso nos põe como alvos de fácil controle e enche as clinicas de psicanálise.


5. Blade Runner



Quando o gênero SciFi parecia já meio esgotado ou apenas vivendo de restos de Star Wars ou 2001, Ridley Scott desenterrou o film noir e o jogou anos-luz a frente usando como base uma das obras do profético Philp K. Dick; resultado: Blade Runner.

Creio que esse filme inaugurou uma outra via de SciFi onde o futuro não era um paraíso mas um lugar sombrio, super povoado, cinza, saído das paginas de um Dashiell Hammet futurista (leia-se K. Dick). Esqueça a versão do estúdio que ciente do clima noir empresotu uma narração em off ridícula e que explica o filme. A versão de Scott, liberada anos mais tarde, é simplesmente genial e é impossível não cair de amores pela Rachel.

No mais, é uma grande releitura do eterno conflito humano criador/criatura e porque o primeiro nos fez finitos, com prazo de validade.


6. 2001: uma odisséia no espaço



Kubrick dispensa maiores apresentações. Se ‘Blade Runner’ reciclou e recriou o gênero, 2001 simplesmente reinventou e, pensando bem, não considero como SciFi mas como drama, um épico sobre a raça humana como um todo, evolução, criador/criatura e novamente a questão de porque estamos aqui.

Lembro de ter assistido no ultra falecido Cine Comodoro (hoje uma das IURDs da vida), era a a maior tela de SP num tempo onde ir ao cinema era algo realmente mágico e não coisa de botequim e gente que estaria melhor nos pastos que nas salas. Levei anos para finalmente achar a minha interpretação do filme (ache a sua) mas, acima de tudo é uma maravilhosa parábola de como a evolução pode ser bela e ao mesmo tempo pavorosa.

HAL9000 virou referencia e pode ser ‘visto’ em uma centena de filmes que vieram depois e deu uma ajuda aos clássicos pois Kubrick, atento ao rigor cientifico, não permitiu que as cenas espaciais tivessem som (lá, pelo vácuo, o som não pode propagar-se) e para não deixar o filme com longos minutos de silencio, usou  abusou de música clássica (Strauss).
O filme em si tem poucos diálogos considerando a duração do mesmo (161min) e é dividido em quatro partes: A aurora do homem, TMA-1 (já no futuro onde o espaço está sendo dominado), Missão Júpiter e Júpiter alem do infinito.

Para assistir louco de ácido e discutir bêbado no bar.

7. Quem tem medo de Virginia Woolf



Filme bom para ver juntinho com seu amor num daquele dias chuvosos e frios, faz bem para a relação, fortalece, aproxima, isso ou vai por os dois na delegacia mais próxima ou necrotério.
Elizabeth Taylor e Richard Burton estão pra lá de reais como casal neurótico, etílico e problemático (muito provavelmente refletindo a relação conturbada dos dois na vida real, cheias de idas e vindas e toneladas de substancias licitas ou não) que recebe a visita de um outro casal recém unidos e com todas aquelas expectativas e sonhos que se estendem a sua frente.

O casal velho vai sorvendo aquela juventude que não lhes pertence mais entre litros e mais litros de álcool e destilando ante os convidados todas as suas mazelas levando-se a enfrentar a suas por tabela num crescendo desconfortável como poucas vezes vi em um filme.

Os diálogos são soberbos, filme denso, pesado, arrastado, se você é solteiro vai pensar muito antes de casar.

8. Polyester



John Waters, eu te amo! Poucas pessoas conseguiram mostrar tão cruamente o mondo trasho como você.

Familias que dão um sentido novo a palavra disfuncional e situações tão escabrosas que de tão ruins acabam tornando-se boas. É o cinema dos excluídos, párias, degenerados, desajustados, pervertidos, tarados, atormentados; é filmado assim, parece que alguém pegou a câmera e, invisível, conseguiu filmar a intimidade dos vizinhos trazendo a tona todas as suas taras, demências, perversões, tudo aquilo que guardamos dos outros porque não é de bom tom mostrar, viva a mascara ou até a mascara da mascara no caso dos gueis.

Polyester foi minha porta de entrada para o mundo maravilhoso de Waters, nunca mais achei o caminho de volta (nem quero) e Divine (o transformista eternizado por ele em quase todos os seus filmes e tristemente ido nos anos 80) é umas das melhores atrizes não-atrizes que já vi, sou fã, amo profundamente.

Na Virada Cultural de 2010 assistimos a ‘Pink Flamingos’ num cine pornô da boca do lixo do centro de SP, melhor lugar impossível para louvar Waters e Divine. Graça foi ver gente sair no meio da projeção, certamente desavisados que os filmes de Waters são para os de estomago forte, melhor, mente forte e livre de dogmas ou preconceitos.

9. Alien: o oitavo passageiro



Segundo filme de Ridley Scott da lista, esse cara é foda mesmo!

Não satisfeito com Blade Runner (ainda que este tenha vindo depois) ‘criou’ outro filão de SciFi que depois migrou para jogos como ‘Dead Space’ e afins de terror espacial. Assisti no cinema também e lembro de ter saído me borrando de medo.

O filme é claustrofóbico, angustiante e o grande trunfo e não mostrar a criatura por inteiro quase nunca, você a vê de relance, rapidamente o que apenas empresta mais medo já que o maior temor não é do que vemos mas do que não podemos ou conseguimos ver bem.

Não há como negar a metáfora de doença e, penso eu, com fortes tons sexuais e inversão de papéis arquétipos já que Ripley (Sigourney Weaver) é o ‘macho’ do grupo e não a vitima indefesa afinal, quem traz o monstro a bordo é um homem ‘violentado’ por um alienígena e que depois ‘dá a luz’ a outro ou seja, os medos básicos do macho e, extrapolando um pouco mais, talvez até mesmo beirando o medo de uma sexualidade reprimida ou mesmo do sexo ‘não convencional’ como via de doença e morte numa época em que AIDS era algo inexistente ou desconhecido das grandes massas.

10. Reliquia Macabra



II Guerra, o mundo cheio de medo e incerteza e pouca grana, ainda era preciso produzir filmes já que a realidade era assim tão dura, levar as pessoas a pensar em outras coisas mas, ainda assim, não deixar de lhes mostrar que o perigo vinha de fora.

Como a grana andava curta nada melhor do que fazer film noir principalmente pela falta de recursos para grandes produções (considerando que para esse tipo de filme não era necessário lá muita coisa) e depois, como disse, para mostrar ainda como andavam os humores no mundo, preto e branco, sem espaço para muitas cores, esfumaçado e sem uma clara visão de quem era bandido ou mocinho, possivelmente um pouco de cada.

Reliquia Macabra cumpre esse papel com maestria, sua trama rocambolesca requer atenção máxima ao filme ou você vai se perder entre diálogos e personagens que entram e saem. Imortalizado por Humphrey Bogart fincou o papel de detetive cafajeste mas bem intencionado e que não leva a melhor apesar de vencer o bandido mesmo porque, como disse, a linha que separa ele do vilão é demais tênue.

Creio que esse tipo de filme antecipou o clima de guerra fria que veio logo após o fim da II Guerra e em sua esteira influenciou outra centena de filmes até mesmo hoje (Ed Mort é uma excelente sátira desse tipo de personagem e filme).

confúsio


Sou a antítese das suas teses, sou a metáfora do seu pesadelo, sou a hipérbole do seu sexo renegado, sou a onomatopéia dos seus calos, sou a alegoria da sua ágora, sou a distrofia do seu pênis, o muco da sua genitália, o cancro duro do teu cérebro mole, o tísico da sua física, o leproso do seu estupor, o apêndice do seu índice, o anexo do seu re-sexo, a curva da sua turva, a reta da sua meta.
Mamo em tetas diferentes, de uma só leitada, de uma só beiçada, de uma só golada e se pegar na trave é trava, é treva, é trote, trota comigo até a esquina e me faz essa menina que morreu dentro de mim quando nasci pro mundo escuro que diz a soma ser sempre mais quando eu via sempre menos.
Retroescavado no escarro do gancho suicida do parafuso sorriso falso, dá cá um abraço e faz um afago que dentro de mim há dois bagos que necessitam carinho para florescer e ser, na tua cara, no teu queixo, no meu eixo, no seu beijo e na cara dos que abanam bovinos as cabeças e fecham caprinos as mãos.
Voa em cima de cima com fome de leão, peão, sermão, inquisição, molha aqui a língua seca com a semente de Adão, migra na temporada certa para longe comigo e abre no peito um novo quinhão, irmão, macho, escravo e patrão.
Possui esse daqui que sem posses atira tudo na contramão, intervenção, solidificação, sublimação do gelo dentro de mim, coração, extermina essa raça fria que merece fim sem perdão e evolui meu amor em novas formas, revela a ação, mete as mãos pelos joelhos e pés e simula a penetração.
Vai, vamos, vestidos feito damas em bailes tenebrosos, sombras no topo do morro de costas dizendo não, tão excitante enquanto arrumam as malas, tristes mais do que soam, mais amáveis enquanto overdozam pelo tráfego faminto que murmura, entre faróis coisas de mim e você.
Fome, já no segundo andar, somos tão música quando abraçados a sina de pecar.
Nota: que dizer? nada, absolutamente nada, veio assim natural o convite e eu que andava meio sonso desse mundo daqui achei a porta aberta e a luz dentro acesa e essa figura ímpar me chamando a entrar, aceitei e cá estou. Espero que gostem e se não gostarem, tudo bem, afinal não gostar já é em si um tipo de gostar, melhor que não sentir nada e de nada a vida já anda é cheia demais...

Rufem os tambores, estendam o tapete vermelho...

...como anunciado no facebook, o JED vem com uma grande novidade. Não é o Oscar, mesmo porque nem é novidade que faremos nossa tradicional cobertura e sim a entrada de um ilustre blogueiro como autor.  E a pergunta que todos devem estar a se fazer é QUEM É A BISCATE? Ok, não vou deixar vocês com cara de Neymar por mais tempo. O inigualável, absoluto, poderoso, gostoso, tesudo, primeiro e único, ALEXANDRE MELO! Portanto além de mim dando pitaquinhos aqui e ali teremos Alê dando pitacões aqui e acolá. Alexandre é um dos melhores escritores que existem, é uma honra pro blogue agregar tanto talento e beleza, afinal ela é fundamental como diria o Vinícius de Moraes. Alexandre é dono de frases e imagens de efeito, falar sobre ele é algo quase impossível, seria uma enciclopédia, mas acredito que a imagem e a frase dele que mais o resumem podem ser apreciadas abaixo,sem mais, com vocês, Alexandre Melo! Clap, Clap, Clap!

Boquete, copo d'água e punheta não se nega a ninguém!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os 10 discos que mudaram minha vida

Por Alexandre Melo

Um pedido de ST não se nega, se atende assim de bate/pronto. Como me deixou o tema livre, resolvi fazer um Top 10 dos discos que mudaram minha vida. A lista não está em ordem de preferência, são discos que de certa forma marcaram ou mudaram minha vida e o modo como eu ouvia música.
Talvez seja um amontoado de ‘velharias’ para alguns, mas, prefiro pensar que pode ser uma abertura para quem deseja conhecer coisas que de alguma forma influenciaram boa parte do que temos hoje.
Espero que gostem e se gostarem, não baixem, façam um esforço e comprem o original porque são obras que, em minha opinião, devem fazer parte da discoteca básica de qualquer mortal.

1.       The Smiths – ‘Hatful of Hollow’
1984, 29 anos e eu lembro claramente quando comprei esse disco em uma tarde de sol com nuvens negras à distância anunciando chuva. Em casa, havia uma radia-vitrola Phillips e quando pus para tocar esse disco tive uma revelação.
As guitarras de Johnny Marr criando texturas únicas para as lamúrias de Morrisey sobre amores perdidos ou pior, não realizados e cantando uma sexualidade que para mim era certa mas ainda obscura. As capas dos discos são obras de arte a parte e quase sempre de forte teor homoerótico.
Desse disco, além do hino ‘The boy with the thorn in his side’ acho ‘Please, Please, Please, let me get what I want’ uma jóia rara, uma ode a quem deseja voz e que ainda hoje se mostra sensível e atual.
A banda acabou em 1987 deixando um bando de órfãos.

2.       Cocteau Twins – ‘Treasure’
1984 deve ser um ano cármico porque este também lhe pertence. Não é um disco fácil, eu mesmo só fui absorvê-lo de todo depois de muitas audições mas o efeito foi catártico, lisérgico e creio que até hoje poucas bandas possuem uma identidade tão única.
Não era música, era algo mais, vinha do céu, eram profecias balbuciadas por Liz Fraser emaranhadas em camadas e camadas de guitarras surreais de Robin Guthrie. Nunca foi preciso entender as letras (se é que havia), bastava deixar-se levar pelo conjunto ímpar até outras praias, mundos, consciências.
Com o passar do tempo, ficaram mais palatáveis porem não menos geniais até sua despedida em 1997. Sou um dos felizardos que pode vê-los ao vivo no defuntíssimo Projeto SP lá pelos idos de 88/89 se não me engano.

3.       Suede – ‘Coming up’
Lembro de quando ouvi Suede pela primeira vez no toca-fitas (sou desses) no carro de um grande amigo, ‘Trash’ rasgou meus ouvidos com guitarras ácidas, um toque de ‘glam rock’ e um refrão que grudava no ouvido feito argamassa.
Novamente as músicas versavam sobre um cotidiano sorumbático e horizontes mais perdidos que a geração da época, foram meio que ofuscados por Blur e Oasis mas nunca fizeram muita questão mesmo de serem ponta de lança de qualquer movimento e quem pode vê-los aqui em 2012 (chorei rios, sou fã rasgado) teve a alma lavada; pena que boa parte das pessoas no show mal sabia do que se tratava e oxalá eles voltem para um show menor e apenas deles já que há disco novo saindo em Março.
Se você nunca ouviu ‘Animal Nitrate’, melhor mandar verificar seus ouvidos...

4.       Ira! – ‘Psicoacústica’
Acho que esse é um dos melhores discos de rock nacional já feito e, minha opinião, o auge do Ira!
Além de a capa ser foda (vinha um óculos 3D para ver o efeito ‘Um corpo que cai’) as guitarras de Edgar Scandurra estão afiadíssimas, as letras são petardos e a mistura de ritmos brasileiros com hip-hop e ‘samplers’ antecipou muito do que se faria anos depois não convertendo entretanto isso em sucesso comercial.
Ouça ‘Rubro Zurro’ que acho uma das canções mais fodas já feitas! Mudou a visão que eu tinha de rock nacional à época e me fez passar a ouvir mais bandas locais que viriam depois a fazer parte da minha discoteca básica.

5.       Legião Urbana – ‘As Quatro Estações’
Sim, eu gosto deles e muito! Fui ao shows e quase idolatrei Renato Russo ainda mais depois do ‘Stonewall Celebration Concert’.
Na verdade, esse disco em si é uma arca de ‘hits’ consagrados mas penso ser um divisor de águas para LU, quando eles finalmente acharam sua identidade e se puseram no caminho do amadurecimento ajudados pela saída do armário de Russo.
Pessoalmente marcou uma época especial de minha vida e cada canção do disco me é cara por um motivo único além de ser mesmo um disco excelente. LU não era cru como outras bandas, era um biscoito mais fino para ser degustado lentamente e ainda que considere Russo hermético muitas vezes, de alguma forma, o que ele dizia chegava onde queria chegar.

6.       Roxy Music – ‘Avalon’
Se for regra sair do palco quando ainda a luz está sobre nós, o Roxy Music fez isso com toda a gloria com esse disco que serviu de base para quase tudo que se fez nos anos 80 em termos de New Romantic e afins.
Melodias intrincadas, sofisticadas sem ser barrocas num ar quase blasé acentuado pela voz de Bryan Ferry, um pop chic, bem feito, aquele tipo de disco que você pode usar em quase todas as ocasiões desde festas até para deixar tocando enquanto toma umas e conversa com amigos em casa.
Ouça ‘True to life’ e ‘To turn you on’ e veja se não estou certo. As capas dos discos (quase sempre ostentando belas mulheres em ensaios que mais pareciam pinturas do que capas em si) são para mim verdadeiras obras de arte.

7.       The Velvet Underground & Nico – ‘The Velvet Underground & Nico’
Esta é uma das bandas que mais gosto. Se tivesse de escolher cinco discos pra ouvir antes de morrer este aqui seria certamente um deles.
Tudo aqui se encaixa, os experimentalismos de John Cage, as letras sórdidas de Lou Reed (quase sempre versando sobre o submundo, putas, drogas, gays, BDSM e afins) e seu vocal quase falado e a benção e Warhol que os colocou sob sua proteção.
A cereja do bolo vai para Nico (Christa Päffgen) que com seu ar de oficial da Gestapo dava um charme único às canções do grupo; sua carreira solo é simplesmente incrível e se tiver chance ouça o disco ‘Chelsea Girls’ que merece estar entre a discoteca de todos que gostam de música.

8.       Felt – ‘Ignite the seven cannons’
Na esteira de Cocteau Twins (Guthrie produziu o disco) temos essa pérola. A capa do disco já sugere o conteúdo, uma tapeçaria fina, um tecido delicado ao toque, harmonias sutis e guitarras carregadas de efeitos aliadas à voz de Lawrence, lânguida, como se cantasse quase chorando às vezes.
Algumas músicas são apenas instrumentais e remetem a um clima de menestrel, algo como se estivéssemos em um salão de corte ouvindo o dedilhado sendo feito aos poucos num jogo de luzes bruxuleantes.
Ouça ‘Primitive Painters’ onde a voz ímpar de Liz Fraser empresta à canção aquele charme a mais que transmuta simples canções em obras-primas eternas.


9.       New Order – ‘Low Life’
Das cinzas do Joy Division, saiu essa banda que conseguiu juntar como poucas outras um pop dançante, com sofisticação em muitos momentos e o som inigualável do baixo de Peter Hook, marca mais do que registrada da banda.
Esse disco une momentos lindos como ‘Elegia’ ao lado canções pop perfeitas como ‘face up’ e ‘Subculture’ mas, a melhor de todas é ‘Perfect Kiss’ em minha opinião uma das melhores musicas já feitas (vá atrás da versão original de quase 10 minutos, no disco mesmo ela tem por volta de 5 minutos).

10.   Tom Waits – ‘Frank’s wild years’
Não é para todos, já adianto. Numa primeira audição você vai querer parar ou pensar que seu aparelho de som está com problemas.
Mas, deixe de lado os preconceitos e mergulhe na voz rouca e atormentada de Waits e seu mundo de cafetões, drogas e uma constantes preocupação com o diabo (ele mesmo já fez esse papel em alguns filmes) como se lhe houvesse vendido a alma em troca de talento e o tinhoso o tivesse enganado só que o tiro saiu pela culatra pois Waits é divo, único.
Ela passeia pelo jazz, por ritmos latinos, ar de cabaré de terceira categoria, esfumaçado e cheio de degenerados, gente esquecida por Deus mas acolhida pelo demônio seja ele em carne e osso ou personificado nas mazelas da sociedade.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Top 10 - Os Homens do Foxx

O JED abriu espaço para você, querido leitor, exibir os seus homens e para começar, a raposa felpuda de Blogsville cedeu o seu Top 10 com direito a menção honrosa e tudo. Vamos conferir? E se você conseguir chegar com ar até o final do post, aproveita e comenta gostoso!


Eric Bana, ator australiano

Matthieu Charneau, modelo francês

Del Marquis, guitarrista americano (Scisors Sisters)

Seth Meyers, humorista americano

Rafael Motta, vereador em Natal, RN

Rafael Teixeira, jornalista/escritor brasileiro

 Louis Marie de Castelbajac, fotógrafo/designer francês

Bernardo Velasco, modelo/ator brasileiro

Xavier Dolan, ator/diretor canadense

 Steven Strait, ator/cantor americano

Menções Honrosas:
Henry Cavill, ator britânico

Daniel Garofali, modelo australiano

E aí? O que acharam desta estupenda seleção do Foxx?